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A Prática do Jejum

Reorientando nossa vida espiritual por meio da renúncia

Utilizado pelos cristãos para se lamentar, se preparar para ouvir a voz de Deus, focar as orações em tempo de profunda intercessão e paraBox apraticadojejum se humilhar e se arrepender, o jejum foi muito praticado nos tempos do Antigo Testamento e também pela igreja primitiva (1 Sm. 31.13, Ex. 34.28; Mt. 4.1-2, At. 13.3). Mas, hoje em dia, tem se convertido numa disciplina espiritual negligenciada por muitos de nós.

O jejum bíblico é uma forma de autonegação por causa de Jesus e Seu reino. É uma abstinência deliberada de algum ou todo alimento para um propósito espiritual. Exige um nível profundo de sacrifício e compromisso. Jejuar é decidir não comer porque sua fome espiritual é tão profunda, sua determinação em interceder tão intensa, ou sua luta espiritual tão grande, que você abandona temporariamente até mesmo as necessidades do próprio corpo para dedicar-se à oração e meditação na Palavra de Deus.

A Bíblia nos ensina que há jejuns individuais - como o de Moisés, que o praticou até que seu rosto brilhasse com a glória de Deus (Dt. 9.9-18), ou o de Daniel, que se absteve das iguarias do Rei para buscar a face de Deus (Dn. 10.2-3), ou o de Davi, que o fez antes de ser coroado, quando seu filho ficou doente, quando seus inimigos estavam doentes (Sl. 35.13), e por causa dos pecados do seu povo (69.9-10) –, e há jejuns coletivos – como o de Josafá e seu povo, que, diante de três exércitos inimigos, venceram jejuando e orando, sem ter que disparar uma flecha sequer (2 Cr. 20).

Esta disciplina espiritual tem sido tão importante na história da Igreja, que a maioria dos reformadores eram conhecidos pela sua vida dedicada à oração e ao jejum. João Calvino jejuou e orou até que a maior parte de Genebra foi convertida. John Knox jejuou e orou até que a rainha Mary disse que temia mais as suas orações do que todos os exércitos da Escócia. Para destacar a importância da prática, Wesley chegou a afirmar: “o homem que não jejua está tão distante do céu quanto o que nunca ora”.

Precisamente por isso, a prática do jejum é tão rica. Ela nos brinda com a possibilidade de criar um espaço íntimo e profundo, para nos focar em Jesus e buscar Sua presença, num mundo que clama - de diversas maneiras e sem misericórdia - pela nossa atenção.

O jejum é um instrumento escolhido por Deus para aprofundar e fortalecer a oração, solidificar a nossa determinação diante da letargia e o desânimo e fortalecer a nossa alma com nova coragem e singularidade de mente. Ele não só alimenta a nossa fé, como nos permite ouvir com maior clareza a voz do Espírito Santo e prepara o nosso coração para prevalecer mais poderosamente, crer com maior confiança e ficar firme na perseverança.

Precisamos dar um lugar de importância à pratica do jejum. A história mostra claramente o papel singular desta disciplina espiritual no desenvolvimento da vida da igreja e dos diferentes avivamentos ocorridos ao longo do tempo. Procure acrescentar essa prática à sua vida de oração. Incentive outros a jejuarem para buscar a face do Senhor, para ouvir a voz do Pai, para achegar-se a Deus - e que, assim, Ele se aproxime de nós (Tg. 4.8)-, e para entrar mais plenamente na vida de intercessão.

Sugestões práticas para o jejum:

Comece a incorporar esta disciplina espiritual à sua vida de oração. Se você jamais a tiver praticado, comece - pelo menos ocasionalmente - a pôr de lado algumas horas, metade do dia ou mais, para um retiro pessoal de oração e inclua o jejum.

  1. Jejue ocasionalmente durante uma refeição e passe esse período em oração.
  2. Ore a respeito de planejar o jejum como uma parte regular da sua vida devocional – uma vez por mês, ou uma ou duas refeições por semana. Lembre-se de ficar a sós com Deus durante o tempo que passar jejuando, a fim de obter o pleno benefício espiritual.
  3. Passe a primeira parte alimentando-se da Palavra de Deus, rendendo culto, adorando e louvando ao Senhor. A seguir, concentre-se em um ou dois assuntos principais de oração.
  4. Seja flexível. Evite a pressão legalista e estabeleça um alvo de jejum que você procure cumprir fielmente com a ajuda de Deus. Se as circunstâncias tornarem impossível jejuar conforme o planejado, escolha outro horário, ou um prazo menor.
  5. Não tente jejuns longos (40 dias), a não ser que tenha sido orientado por alguém mais experiente no assunto sobre como fazer isso apropriadamente. Continue bebendo líquidos, pois o corpo precisa de água. Os jejuns longos na Bíblia, sem comida nem água, foram milagres especiais. Se você pretende fazer um jejum longo e absoluto, sendo uma pessoa idosa ou doente, não deixe de discutir esse plano com seu médico.
  6. Fique atento para a orientação do Senhor quando Ele o chamar a um jejum especial para uma necessidade particular.
  7. Mantenha o seu jejum como uma questão apenas entre você e Deus.