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A missão da igreja é amar

Quando Cristo foi indagado sobre o que está acima de tudo na lei moral, respondeu:

“Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc. 12.30-31).

Nada está acima do amor. Sem amor, desempenho religioso algum agradará ao Deus que está preocupado tanto com o que fazemos quanto com o que somos.

Antes de chamar a igreja para pregar, Deus a convoca para o exercício do amor. Compreender isso é de fundamental importância para a correção daquele tipo de espiritualidade que resume a vida e a missão do cristão e da igreja ao ato de pregar o Evangelho. Esse pensamento tem feito que igrejas inteiras neguem os princípios mais elementares do amor, em nome de uma dedicação exclusiva a algo que, se for real, levará o convertido a fazer muito mais do que evangelizar.

Imagino esse amor sussurrando nos nossos ouvidos o que devemos fazer por aquele que a providência divina põe em nosso caminho. Ele pode dizer: “Pregue o Evangelho para essa pessoa, porque viver sem Cristo é muito triste”, “Leve uma cesta básica para a casa dela; a fome tem pressa, e um estômago vazio não tem interesse em metafísica”, “Ajude-a a investir em si mesma e a crescer como ser humano, a fim de que ela coma do pão com o suor do seu rosto, deixando de depender da misericórdia incerta da sociedade e do Estado”, “Ame essa pessoa de modo político; a cesta básica resolve seu problema imediato, mas não a introduz na verdadeira cidadania, livrando-a das amarras das estruturas sociais da maldade”.

Quem nos fez esquecer de amar desse modo? O que nos levou a negligenciar o mais importante? Por que mutilar o amor?Box amissaoSET18

Uma das passagens bíblicas mais significativas sobre a razão de ser da missão cristã é esta:

“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt. 9.35-38).

Jesus tinha contato com as pessoas. Se Ele viu as multidões é porque estava próximo delas. Não há nada que supere a experiência de campo. Não pense que você pode ter ideia exata sobre os problemas sociais do Brasil, por exemplo, apenas lendo o jornal; é preciso ir lá onde os problemas acontecem. Essa relação permite que se forme uma opinião pessoal bem sólida, além de criar oportunidades para conhecer e amar pessoas reais.

Jesus se compadecia das pessoas. A condição humana é trágica: todos estamos expostos a uma vida dura, curta e incerta; sujeitos a uma cultura religiosa que põe na boca de Deus o que Ele nunca falou. Cristo vê esse quadro calamitoso e se compadece.

Amar vem antes de liderar. O chamado de Cristo não é para liderarmos, mas para servirmos. O serviço cristão pressupõe amor. Por que cantamos, ensinamos, pregamos, lideramos? Porque temos interesse pelo bem-estar das pessoas. Sem amor, o trabalho perde o sentido, a razão fica sem brilho, o serviço é realizado sem espontaneidade e a pregação acontece sem originalidade. Não há congresso que ensine a amar. Podemos falar sobre métodos de liderança, princípios de administração e técnicas de composição musical, mas amar vem do céu. Por isso, deve ser buscado.

Amar é viabilizar a vida humana e ajudá-la a cumprir sua vocação divina. Significa tratar com dignidade todo aquele que cruza o seu caminho e levá-lo a voltar para casa se sentindo mais amado e próximo de Deus. Não ignore o pobre, o vulnerável, o excluído, o enlutado, o doente, o desempregado, o que sofre violação de direitos humanos. Não explore ninguém. Não pague salário baixo.

Peça a Deus por amor. Não queira ser um grande pregador, um exímio cantor ou um poderoso líder eclesiástico. Procure amar e servir, aperfeiçoando seu talento para ser útil, em vez de famoso. Somente assim você não perderá sua alma na religião.

Que no seu e no meu caminho não haja rastro de destruição e miséria. E que, dos altos céus, Deus olhe para nós e sorria, pelo simples fato de nos ver vivendo a vida que Ele próprio vive: uma vida de amor.

*Trecho extraído do livro “Teologia da Trincheira”, lançado pela editora Mundo Cristão.

 

AntonioCarlosCosta