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Missão: Pais

Amy Carmichael, cristã que deu a sua vida trabalhando como missionária na Índia, costumava citar um famoso provérbio indiano sobre maternidade: “Os filhos amarram os pés das mães”. E, sejamos sinceros, que atirem a primeira pedra as mães que nunca pensaram isso. Todos os casais concordam que tudo muda quando os bebês vêm, nada mais é do jeito que era, nunca mais vai ser.

Mas, será que isso nos impede de sermos aqueles que o Senhor nos criou para ser? Com certeza, não. Deus nos chamou para uma missão especial, talvez a mais importante: criar filhos semelhantes a Cristo. O avivamento na família vem antes do avivamento na igreja e na sociedade.

Nossa maior missão, o maior trabalho missionário que podemos fazer como cristãos é sermos pais comprometidos a ensinar nossos filhos o caminho em que devem andar. É darmos o exemplo de como se vive como cidadão do Reino de Deus nesta terra.

Ana, esposa de Elcana, entendeu muito bem esse chamado. A Palavra conta no livro de 1 Samuel que ela vivia entristecida por não poder ter filhos. Quando a família ia à cidade de Siló oferecer sacrifícios ao Senhor, Ana chorava muito e passava dias sem comer (1.1-8).

Ela, então, orou a Deus e pediu um filho. Junto de seu pedido, fez um voto:

“Ó Senhor dos Exércitos, se tu deres atenção à humilhação de tua serva, te lembrares de mim e não te esqueceres de tua serva, mas lhe deres um filho, então eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias de sua vida, e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados” (v. 11).

E, assim, sua súplica foi ouvida e Ana engravidou. Quando Samuel ainda era pequeno, ela o levou a Eli, o sacerdote, e o dedicou ao Senhor.

Box missaopaisJUL18Ana sabia da importância de o seu filho, aquele a quem ela tanto desejou, servir ao Senhor. E ela fez tudo o que pôde para que isso acontecesse. Samuel se tornou um homem de Deus, conduziu Israel à vitória e ungiu Davi como rei.

Imagine só se Ana não tivesse cumprido o seu voto, não tivesse ensinado ao seu filho quem Deus é e a importância de servi-lo. Ou, imagine se José tivesse abandonado Maria quando soube que ela estava grávida de Jesus? Como teria sido a realidade do Filho de Deus? Eles entenderam qual era o seu papel como pais.

E nós? Temos entendido qual é o nosso papel? Como podemos seguir o exemplo de Ana, José e Maria, e criar filhos que vão servir a Deus por toda a vida?

É importante nos lembrarmos de que educação tem a ver com relacionamento. É impossível sermos exemplo e autoridade sobre a vida dos nossos filhos se não nos relacionamos com eles, se não investimos tempo, se não nos preocupamos com seus pensamentos, com seus gostos e com suas necessidades.

E isso mostra as nossas prioridades. Quando elas estão fora do lugar, tudo em nossa vida é afetado. Por isso, primeiro deve vir sempre o nosso relacionamento com Deus. Se não tivermos a nossa identidade firmada nele não conseguiremos ser pais comprometidos. Afinal, é o Espírito Santo quem nos ensina e nos capacita (Jo. 14.26).

Depois, vem o cônjuge, essa é a segunda prioridade na vida do cristão. Em terceiro lugar estão os filhos, depois vem o trabalho e, em último lugar, o ministério. Quando essas prioridades estão no lugar certo, nossos relacionamentos são saudáveis e caminham diretamente para o propósito de Deus.

Já sabemos, então, qual é o olhar de Deus para os pais, qual é a nossa função e como devem estar as nossas prioridades para que sejamos bem-sucedidos. Precisamos também estar plenamente conscientes de quais devem ser as nossas tarefas como pais. Elas são quatro e exigem todo o nosso esforço, já que ser pai e mãe são funções de tempo integral.

1. Amar

Jesus sabia quem era e sabia que era amado, porque o Pai disse a Ele. Como no dia do seu batismo: “Então uma voz dos céus disse: ‘Este é o meu Filho amado, de quem me agrado’” (Mt. 3.17).

Amar é uma tarefa que os pais desempenham desde que a criança está no ventre. Muitas pessoas carregam marcas profundas ainda na vida adulta, porque não foram aceitas e nem amadas por seus pais. Isso influencia diretamente a sua identidade, traz insegurança, ansiedade e baixa autoestima.

O amor envolve não só sentimento, mas é evidenciado por nossas atitudes. E aqui entram as linguagens de amor. É importante termos relacionamento com nossos filhos para que saibamos como eles se sentem amados, e, assim, demonstrarmos o nosso amor. Essa demonstração pode vir através de elogios e encorajamento, de serviço, de presentes, de tempo de qualidade ou de proximidade.

2. Cuidar

Cuidar é proteger, estar atento, zelar pelo bem-estar. E essa tarefa exige equilíbrio, porque não pode se tornar superproteção ou falta de confiança.

Uma das melhores maneiras de cuidar dos filhos é observar se há alguma alteração no seu comportamento. Prestar atenção em suas amizades, no que assistem e quais sites acessam, em suas conversas, seu desempenho na escola, sua saúde, sua vida devocional. Isso não significa ser um detetive que fica fuçando nas coisas escondido, mas é estar atento, prestar atenção.

E, o mais importante, cuidar é interceder. Somente o Senhor conhece profundamente os nossos filhos e pode guardar suas mentes e corações.

3. Discipular

Crianças são esponjas, elas absorvem tudo o que veem e ouvem, e replicam. É uma conta simples: o que dissermos e fizermos, nossos filhos vão dizer e fazer. Eles estão atentos a cada movimento nosso.

Por isso, precisamos ser discípulos de Cristo, para que os nossos filhos, vendo a nossa maneira de viver, também o sejam. A Palavra de Deus deve estar em nosso coração para que possamos ministrá-la.

O discipulado também começa com relacionamento, proximidade, intimidade. O que mais devemos desejar para os nossos filhos, assim como Ana, é que eles tenham um relacionamento profundo com o seu Salvador.

4. Disciplinar

Disciplinar é instruir, preparar através do ensino de princípios e hábitos corretos, dar limites, corrigir. Esta é uma tarefa que também exige equilíbrio. Hoje em dia, vemos muitos extremos, pais que são muito severos na disciplina dos filhos ou pais negligentes, que querem só ser amigos.

Toda criança precisa de limites, e a disciplina a orienta a andar dentro deles. Ela envolve três passos: instruir – deixar claro quais são os limites e quais as consequências de ultrapassá-los –, advertir – admoestar, aconselhar a não repetir a falta, lembrar dos limites e das consequências – e corrigir – aplicar a correção de acordo com a instrução e a advertência.

Essa, talvez, seja uma das tarefas mais difíceis para os pais. Mas é ela que desenvolve nos filhos a capacidade de governarem a si mesmos.

A missão de educar os filhos é de grande importância e exige muito esforço e dedicação. Como citou Amy Carmichael, realmente amarra os pés dos pais. Mas, isso não é algo ruim. Os filhos amarram os nossos pés onde devemos estar, enraizados na dependência do Espírito Santo, Ele nos ensina e nos ensinará a como termos êxito nessa missão que Deus nos confiou.

 

Pai e mãe, fiquem atentos!

Só podemos ensinar aquilo que praticamos! Os filhos aprendem muito mais com aquilo que veem (observação) do que com o que ouvem, sendo assim, nossas atitudes precisam falar mais alto do que as nossas palavras. Existem três fundamentos essenciais para um lar estruturado. São eles:

• O marido ama a esposa como Cristo amou a igreja (Ef. 5.25-33);

• A esposa respeita o marido como a igreja respeita a Cristo (Ef. 5.22-24, 32-33);

• Os filhos obedecem e honram os pais (Ef. 6.1-3).

Quando esses fundamentos são praticados dentro de casa, o Reino de Deus começa a se estabelecer nos relacionamentos diários e podemos ver a presença do Espírito Santo transformando a vida do nosso cônjuge e dos nossos filhos.

Já a inversão desses valores ou a prática de apenas um deles pode causar confusão e desordem.

Faça uma análise em sua casa com relação aos textos de Efésios. Depois, convoque um culto familiar, para que você, seu cônjuge e seus filhos possam orar juntos e compartilhar verdades que irão transformar a sua família