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O chamado para educar

Quem nunca, depois de levar uma bronca ou ter um pedido negado pelos pais, foi para o seu quarto e passou um bom tempo resmungando e dizendo que eles não sabem de nada, que você sabe o que é melhor? Quem nunca achou que os pais proibiam certas coisas só para nos provocar? Ou correu para a mãe quando fez algum machucado, teve alguma decepção? É, parece que todos nós nascemos sabendo como ser filhos.

Mas, será que isso também é verdade quando nos tornamos pais? É um processo tão natural quanto ser filho? A verdade é que não, não é. É preciso esforço e humildade para errar e aprender. Tentar uma vez, tentar duas vezes, tentar 10 vezes. É ter o segundo filho e enxergar com mais clareza todos os erros que acabou cometendo com o primeiro. É ter medo, não saber se vai conseguir, depender de Deus. Precisamos aprender a ser pais.

Isso fica ainda mais evidente quando olhamos para a educação das crianças nos nossos dias. Altos níveis de superproteção e negligência acabam criando pessoas que não estão preparadas para a vida e que têm a sua identidade profundamente abalada.

Uma pesquisa realizada pela ONG britânica Varkey Foundation acompanhou 27 mil pais de estudantes de 4 a 18 anos em 29 países para ter uma visão mais ampla de qual é o seu nível de comprometimento com a vida escolar dos filhos. No Brasil, 46% dos entrevistados disse não dedicar tempo suficiente para a educação dos filhos, 41% acreditam reservar uma quantidade de tempo adequada e 9% sentem que dispõem de muito tempo para essa função.Box chamadoparaJUL18

Além disso, outras pesquisas mostram que o acompanhamento dos pais é fundamental na vida escolar das crianças e no seu desenvolvimento como seres humanos. Um relatório chamado de “O estado dos pais no mundo” (em tradução livre), afirma que os filhos se tornam bem-sucedidos e mais felizes quando seus pais participam de forma ativa em sua educação.

Num tempo em que acabamos nos preocupando mais com aquilo que é urgente, temos deixado o importante de lado e delegado a educação dos nossos filhos, nos esquecendo da nossa função como pais.

O profeta Malaquias, ao falar do final dos tempos, cita o relacionamento familiar:

“Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais” (Ml. 4.5-6).

Como nos comportamos diante da nossa tarefa de criar filhos é importante para Deus, afinal, Ele nos chamou também para esse propósito.

“Educa a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”, disse o rei Salomão em Provérbios 22.6. E o instituto de pesquisas Barna, nos Estados Unidos, comprovou essa verdade. Um estudo mostrou que adultos que frequentavam a igreja quando crianças, são muito mais propensos ao envolvimento na igreja local do que aqueles que não frequentavam.

A maioria das pessoas que frequentavam a igreja quando eram mais novas continuam a frequentá-la ainda hoje. O contrário também provou ser verdade. Isso mostra a importância do nosso comprometimento, como pais, não só com a vida escolar de nossos filhos, mas de sua educação nos caminhos do Senhor.

Deus deu aos pais a responsabilidade de educar os filhos. E essa responsabilidade não poder ser transferida a nada e a ninguém, não importam os avanços tecnológicos ou oportunidades que tenhamos. Nada substitui os pais na educação e na formação dos filhos.

 

AlessandraCaldas