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Por que amamos medir?

Nós, seres humanos limitados, somos amantes da medição; numeramos e contamos, quantificamos e traçamos. Se você olhasse para a sua despensa, cada embalagem mostraria o peso de seu conteúdo. Seu medidor de combustível lhe diz quão cheio está o tanque do seu carro. Seu relógio lhe diz quanto tempo você tem até o jantar. Seu orçamento lhe indica quanto pode gastar. Sua conta na rede social mede o seu círculo de amizades. Nós estamos alegremente cercados, de todos os lados, por sistemas de medição. Pensamos que aquilo que conseguimos medir podemos, até certo ponto, controlar.

Um dos meus filmes favoritos é “Momentos Decisivos” (1986). Ele conta a história de um filme de basquete da pequena cidade de Hickory, no estado norte-americano de Indiana, que alcança sucesso sob a liderança de seu treinador, Norman Dale. O final da história não é difícil de prever. Tendo chegado às finais estaduais, o time dá a primeira olhada no lugar onde a partida final será disputada: um ginásio enorme, facilmente dez vezes maior que os ginásios das escolas de ensino médio onde tinha jogado ao longo da competição.Box porqueamamosJUN18

Quando os olhos dos jogadores crescem ao ver a cena, Dale pega uma fita métrica. Ele pede aos garotos que meçam e lhe informem a distância do fundo da quadra até a linha de lance livre e do chão para a cesta. Com um pequeno sorriso, o treinador comenta: “São exatamente as mesmas medidas do nosso ginásio lá em Hickory”. A cena é genial porque ilustra uma verdade universal: ser capaz de medir é algo encorajador. Isso nos dá um certo conforto e senso de controle.

Quando conhecemos alguém, analisamos seus pontos fortes e suas fraquezas. Nós “medimos” o seu caráter e as suas habilidades. Nós tentamos quantificar seus atributos, a fim de julgarmos quão dignos eles são de nossa confiança e para mantermos as nossas expectativas num nível realista. Nós também medimos a nós mesmos e aos outros para fins de comparação. Perguntas como: “Eu sou inteligente?” ou “eu sou rico?” ou “eu sou honesto?” são respondidas com: “Em relação a quem?”.

O Deus sem medidas

O Deus da Bíblia é infinito. Não podemos medi-lo, não importa o quanto tentemos. Nós não podemos confiná-lo a limites físicos ou mentais. Nós não podemos controlá-lo nem nunca chegaremos à Sua altura.

O amigo de Jó, Zofar, expressa nosso dilema:

“Você consegue perscrutar os mistérios de Deus? Pode sondar os limites do Todo-poderoso? São mais altos que os céus! O que você poderá fazer? São mais profundos que as profundezas O que você poderá saber? Seu comprimento é maior que a terra e a sua largura é maior que o mar” (Jó 11.7-9).

Davi louvou a infinitude da grandeza de Deus (Sl. 145.3). Salomão, da mesma forma, reconheceu que Deus não tem limites (1Rs. 8.27).

Aquele que é imensurável é também a medida de todas as coisas:

“Quem mediu as águas na concha da mão, ou com o palmo definiu os limites dos céus? Quem jamais calculou o peso da terra, ou pesou os montes na balança e as colinas nos seus pratos? Quem definiu limites para o Espírito do Senhor, ou o instruiu como seu conselheiro?” (Is. 40.12-13).

Em resumo, quem mediu tudo? Deus. Quem mediu Deus? Ninguém. O Deus imensurável se preocupa com as medidas de arcas e tabernáculos, templos e cidades. O Deus sem limites limita os oceanos. Ele cataloga fios de cabelo. Ele enumera as estrelas e os grãos de areia. Nosso Deus sem limites mede os nossos dias em palmos, amorosamente e com propósito. E tudo o que Ele mede é perfeito em medida.

Tudo o que Ele limita está perfeitamente limitado. Contudo, Ele mesmo é infinitamente sem limites, sem medidas, sem restrições.

Somos limitados. Nossas limitações foram planejadas. Gastarmos o restante de nossas vidas negando ou aceitando essa verdade faz toda a diferença na forma como amamos a Deus e os outros. Temos que aprender a medir como Deus mede e a contar como Deus conta. Aprendendo a adorar a Deus em Sua grandeza sem medidas, aprendemos a tomar medida de nós mesmos, de nossos pecados, de nossas circunstâncias e do próximo.

*Trecho do livro “Incomparável”, lançado no Brasil pela Editora Fiel.

 

JenWilkin