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Deus salve o Rei

Qual a mensagem que estamos passando aos nossos filhos?

Não, o título da matéria não faz nenhuma referência à novela da Globo. Na verdade, aquela é uma expressão historicamente utilizada para declarar que o monarca é quem conduz os destinos da nação e que foi colocado por Deus nesse lugar. Hoje, dentro de muitas casas, vemos situações em que precisamos fazer a pergunta: quem é o rei do seu lar?

Fazer os filhos se sentirem amados é fundamental. Sob essa premissa, muitos pais têm abandonado seus papéis dentro de casa, achando que isso é uma expressão profunda de amor e renunciando a absolutamente tudo para fazer a vontade dos filhos, que escolhem, ordenam, fazem birra e todo tipo de coisas para alcançar seus desejos.

Dizer “não” parece ser cada vez mais difícil para os pais. Com alguma insistência os “nãos” passam a “nins”, e com algum choro e um pouco de birra transformam-se em redondos “SIM, está bem! Mas só desta vez”. Assim, conquista aqui conquista ali, vão criando precedentes que lhes dão argumentos fortes do tipo “mas o pai deixou” ou “você deixou outras vezes”. Mas, a grande verdade que precisa ser declarada é que eles são os príncipes e princesas, não os reis ou rainhas.

Mas, então, quem é o rei? Para responder a essa pergunta, precisamos primeiro definir o que é lar. Existe uma grande diferença entre casa e lar. A primeira é uma construção de cimento e tijolos, uma estrutura fria e sem sentimentos ou personalidade. O segundo envolve corações, relacionamentos, amor, compaixão, segurança, princípios, valores. Como alguém muito bem afirmou uma vez: “Casa é o abrigo das chuvas, do calor, do frio… Lar é o abrigo do medo, da dor e da solidão”.

E essa construção de corações começa pela vida do casal. Marido e mulher precisam estar constantemente fortalecendo seu relacionamento de amor. Precisa existir namoro, elogio, afeto, troca de ideias, comunicação. O casal precisa sonhar, planejar, refletir. E precisam fazer essas coisas juntos!Box deussalveABR18

É claro que podem existir diferenças, mas elas devem ser tratadas no tempo e da forma correta – nem na frente dos filhos e nem aos gritos. Devemos estar atentos à forma com que, como pais, nos relacionamos com nosso cônjuge dentro de casa, porque num lar os corações estão sendo tocados, marcados e transformados.

Veja como é importante e necessária a presença de Deus como modelo e referência para nossas vidas. O Senhor é o padrão no qual devemos nos espelhar! “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef. 5.1).

O Novo Testamento revela com clareza que o plano divino para cada um de nós é sermos conformados à imagem do Senhor Jesus:

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm. 8.29).

Cristo é nosso referencial de conduta. O apóstolo João declara que “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo. 2.6). O apóstolo Pedro afirmou que devemos seguir os Seus passos, o que significa: caminhar como Ele caminhou (1Pe. 2.21). A transformação que experimentamos na vida cristã é progressiva – “de glória em glória” – e tem endereço certo: tornar-nos semelhantes a Jesus (2Co. 3.18).

Se, de fato, esses princípios governarem o relacionamento do casal, poderão vir tempestades, lutas e até divergências, mas nada vai abalar essa construção e nem a identidade dos filhos.

A figura do casal é tão importante na criação dos pequenos que se torna o rei do lar. Os reis são os pais! Eles marcam o ritmo, porque Deus marca o ritmo na Sua Palavra. Assim, a mulher consegue ser a guardiã do lar: ela tem a função de guardar os princípios, vigiando, estabelecendo a paz, colocando ordem, marcando a individualidade e identidade dos filhos e filhas, trazendo harmonia e amor, sendo a ajudadora que seu marido precisa. E o homem conseguirá honrar o seu papel de provedor, protetor, sacerdote. Ele irá, em liberdade e fidelidade, amar sua esposa, honrá-la, guiá-la, protegê-la, estabelecendo valores e princípios que definirão a identidade dos filhos e marcarão seu futuro. Juntos, cada um na sua função, unidos no mesmo propósito de construir e edificar o lar.

Por isso, é determinante que os pais das crianças vivam honestamente os seus valores, que sejam fiéis àquilo em que acreditam – não poderíamos ser melhores modelos para os nossos filhos. É em casa que as crianças aprendem a ser, a ajudar e cooperar e também a tratar de si e entre si. É em casa que eles aprendem a estar em comunidade e é neste espaço que deverão sentir-se seguros e não ameaçados.

O casal alicerçado em Deus terá um relacionamento sadio que irá constituir o teto de um lar feito de corações, não de tijolos e cimento. Essa é a melhor mensagem que podemos dar aos nossos filhos. Os reis são os pais que, conduzidos pelo Espírito Santo e a Palavra de Deus, vão sendo transformados à imagem de Cristo e formando o caráter dos príncipes e princesas, que, amanhã, serão reis e rainhas do coração do Pai.

Nosso casamento deverá ter como principal alvo o relacionamento marido e mulher. Assim, na medida que os filhos observam isso, eles se tornam fortes, seguros e felizes. Vendo isso, fica fácil eles colaborarem na construção do lar.

 

AlessandraCaldas