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Natal

A incomparável singularidade de Cristo

No mundo todo, dia a dia, mais e mais pessoas duvidam que alguém tenha posse da verdade. Mas, os cristãos continuam insistindo na incomparável singularidade de Cristo. Por quê?

Há muitos anos atrás, num filme chamado: “Alguém lá em cima gosta de mim”, houve um diálogo interessante. Ao ser interrogado sobre se Jesus era o seu filho, o ator que interpretava a Deus responde: “Sim, ele é. Assim como Buda, Maomé e todos os seres humanos são meus filhos e filhas, uma vez que Eu criei todos eles”.

Esse é um discurso previsível de Hollywood e do pensamento relativista, que desconhecem – ou pretendem esconder e manipular a verdade – que a Bíblia afirma que apenas aqueles que nascem de novo se tornam filhos (Jo. 1.12). Até porque, assim como para Nicodemos era difícil entender o que Jesus estava tentando lhe explicar ao falar de novo nascimento (Jo. 3.3-6), também é difícil para a indústria cinematográfica – que tanto se ocupa da estética externa – tentar relatar uma transformação que é sobrenatural e acontece “de dentro para fora”. Como o próprio Cristo afirmou em João 3.12:

“Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?”

Aquele discurso hollywoodiano tem permeado as celebrações de Natal – fazendo dela uma festa completamente comercial – e distorcendo o significado central da comemoração, colocando no lugar da manjedoura um simpático velhinho que espalha momentos de aparente felicidade em forma de presentes.

A singularidade de Cristo e do significado de Seu nascimento para a humanidade vai além de apenas ressaltar Sua origem divina, mas procura proclamá-lo como Aquele em quem a plenitude de Deus habita em forma humana. Ele é totalmente divino e plenamente humano: o Caminho, a Verdade e a Vida.

O Caminho

Num mundo onde a pluralidade religiosa está presente em cada canto, o que significa afirmar que Jesus é o Caminho? Simplificando, significa que devemos olhar para Ele para descobrir – e entender – como Deus age no mundo. Ele não foi apenas enviado ao mundo para nos falar sobre Deus, mas também para demonstrar como o Pai quer que vivamos.

E como o Senhor quer que vivamos? A resposta está em 1 João 4.7-8:

“Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”.

Cristo é a personificação da natureza de amor de Deus e a expressão máxima da Sua graça. Ele é o caminho para descobrir essas coisas. Ele conduziu os reis até a cidade de Belém, até a manjedoura, para se apresentar à humanidade, aos gentios, àqueles que são rejeitados pelo mundo, como Seu salvador e redentor.

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor" (Lc. 4.18-19), disse Jesus.Box natalDEZ17

Ao chamar discípulos e criar uma comunidade, Jesus nos chama a nos juntarmos a Ele em Sua luta pela libertação dos seres humanos de todas as forças da opressão. Ele nos marca o Caminho.

Qual é o caminho de Jesus para os cristãos? Emular Sua humildade valorizando os outros acima de nós mesmos, como afirma a Escritura:

“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl. 2.5-8).

Todas as estradas não conduzem a Deus. O Caminho de Jesus não é uma espiritualidade orientada para procura da mudança interior ou uma forma de ativismo social. É um estilo de vida marcado pela humildade e a renúncia pelo bem dos outros. Negar a natureza única de Jesus compromete nosso resgate – alcançado através de Sua morte e ressurreição –, bem como o modo de vida que Ele nos chama a seguir.

A Verdade

O que significa dizer que Jesus é a Verdade em um mundo que duvida da Sua existência ou em que cada pessoa parece ter uma versão própria? Grandes filósofos – Platão, por exemplo – dedicaram sua vida a procurar a resposta para a grande pergunta: "O que é a verdade?" Mas ninguém jamais conseguiu resolver esse questionamento da forma satisfatória e esperançosa que o cristianismo o faz.

A verdade não é finalmente encontrada em noções ou teorias abstratas, mas sim na pessoa de Jesus. A verdade está Naquele que veio para cumprir a promessa de ter um Messias que restauraria o relacionamento entre a humanidade e Deus. Porque conhecer, de fato, a Verdade depende de estar envolvido em um relacionamento ativo e constante com o próprio Jesus. Ele é categoricamente diferente de todos os outros profetas, testemunhas e mensageiros de Deus. Ele é tudo isso e ainda mais. Junto com o Pai e o Espírito, o próprio Jesus é Deus.

No começo do evangelho de João, o apóstolo explica o que quer dizer ao chamar Jesus de “verbo” – certamente, mais do que um conceito abstrato de “verdade”: “Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (Jo. 1.17,18).

Ou seja, Ele é a Verdade abrangente do Pai. Uma verdade que é pessoal, ativa, relacional e graciosa.

O Espírito da verdade (Jo. 15.26) testemunha a Jesus – não a alguma filosofia ou teoria – como a manifestação encarnada da verdade. Isso quer dizer que por Ele ser a própria Verdade de Deus, não podemos limitar nossa compreensão dele como meramente um bom professor moral ou um líder religioso significativo. Quando afirmamos que Jesus é único, dizemos que Ele está em uma categoria completamente diferente de Moisés, Buda, Maomé ou quem quer que seja. Eles podem ter falado muitas coisas interessantes, mas essas coisas só poderão ser tratadas como verdades na medida em que finalmente apontem para a Verdade de Deus, isto é, a vida e a obra de Jesus.

Ele é o presente de Deus para a humanidade. Um presente em forma de graça, de Natal, de manjedoura, de salvação e redenção, de resgate, de reconciliação. Um presente em forma de amor, compaixão e serviço. Um presente de verdade, que gera nova vida.

A Vida!

A plenitude da vida – tão desejada e perseguida por tantas pessoas no mundo, e de tantas diversas maneiras – é encontrada na comunhão com Deus através de Jesus.

Quando a Escritura diz em 1 João 4.8 que "Deus é amor", não indica apenas uma característica ou sentimento, mas o tipo de vida que Ele vive na comunhão com o Filho e o Espírito Santo. Amor é um verbo. Deus está envolvido em dar, receber e compartilhar o eterno amor com Sua criação. Com Seus filhos.

Deus não criou os seres humanos para finalmente ter alguém para amar. A criação reflete o amor eterno de Deus. Jesus, como o único Filho, convida toda a humanidade a participar desse amor através dele, através da Sua morte e ressurreição. Por isso o Seu significado e o do Natal são tão singulares e importantes, eles testemunham do amor de Deus.

Reconhecer que Jesus é a Vida não significa fazer com que as pessoas mudem sua visão de mundo ou adotem uma nova agenda moral ou uma nova religião. Significa convidá-las para experimentarem um relacionamento verdadeiro com Deus. Uma comunhão concreta e transformadora de amor com o Pai.

Mesmo quem não é cristão acredita estar bem familiarizado com a história do Natal. As diferentes versões do bebê Jesus deitado em uma manjedoura ornamentam prédios, lojas, shoppings, fachadas e jardins, e melodias suaves tocam em toda parte. Mas, mesmo com a abundância dessas referências cristãs na cultura popular, quantos param para de fato examinar com atenção o verdadeiro significado do Natal?

O Natal marca o nascimento do Caminho que conduz a uma vida eterna em comunhão com Deus, da Verdade do Pai e do Seu amor pela Criação, e da Vida nova em Cristo. O Natal é o começo do fim de uma história de resgate e redenção, de uma promessa sustentada no caráter infalível do Pai e no Seu inesgotável amor. Jesus é incomparavelmente singular, porque não há presente que possa gerar o que Ele gera: uma vida cheia de propósito, significado e plenitude, uma vida que envolve o próximo.

Compreender a mensagem de esperança e de salvação encravada no relato bíblico do nascimento de Jesus, nos leva a experimentar o poder redentor da graça de Deus de maneira mais profunda e significativa. Que seja assim para todos aqueles que se aproximam da manjedoura para achar o Caminho, a Verdade e a Vida que há na incomparável singularidade de Cristo.