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Brasil, olha para cima!

Como será o futuro do nosso país?

“Como será o futuro do nosso país? Surge a pergunta no olhar e na alma do povo”, canta João Alexandre na sua famosa música. Mas as perguntas não param por aí. Surge também, nas palavras do famoso compositor e no coração de muitos brasileiros, a dúvida sobre o paradeiro de uma figura que parece estar desaparecida: “Onde andará a justiça outrora perdida?”

A vida em sociedades democráticas é cheia de divergências entre o certo e o errado, entre justiça e injustiça. Algumas pessoas acreditam que a justiça requer que o rico seja taxado para ajudar o pobre, enquanto outras acham que não é justo cobrar taxas sobre o dinheiro recebido por alguém como resultado do próprio esforço. Algumas defendem o sistema de cotas na admissão ao ensino superior como uma forma de remediar erros do passado, enquanto outras consideram esse sistema uma forma injusta de discriminação invertida contra as pessoas que merecem ser admitidas pelos próprios méritos.

Mas o ponto chave é que a reflexão moral, aquela que constrói o sentido de justiça, não é uma busca individual, e sim coletiva. Para saber se uma sociedade é justa, é necessário responder como ela distribui as coisas que valoriza – renda e riqueza, deveres e direitos, poderes e oportunidades, cargos e honrarias.Box brasilolhaSET17

Aumentar o bem-estar, respeitar a liberdade e promover a virtude são três formas de procurar uma mesma coisa: a justiça. Sendo assim, podemos considerar que qualquer estimativa de bem-estar geral deve considerar a dor e sofrimento daqueles que são mais necessitados; a liberdade abraça as diferenças e as utiliza como base para o debate sadio; e promover a virtude é incentivar atitudes e qualidades de caráter das quais depende uma boa sociedade. Essa é, na prática, a vida em uma sociedade justa.

Em tempos de dificuldades, uma boa sociedade se mantém unida. Em vez de fazer pressão para obter mais vantagens, as pessoas tentam se ajudar mutuamente. “A ganância é um defeito moral, um modo mau de ser, especialmente quando torna as pessoas indiferentes ao sofrimento alheio”, sustenta o filósofo americano Michael J. Sandel, no seu livro “Justiça: O que é fazer a coisa certa”.

Aristóteles ensina que a justiça significa dar às pessoas o que elas merecem. E para determinar quem merece o que, devemos estabelecer quais virtudes são dignas de honra e recompensa. Agora, pense, não há justiça no fato de um homem dar sua vida pelo outro sem que ele a mereça? Não foi isso que Jesus fez por nós? Não é isso que desperta em nós a esperança de uma humanidade mais justa, misericordiosa, compassiva e que caminhe segundo os valores do Reino de Deus?

É importante lembrar que Jesus fala que a vontade do Pai é implantar o Reino na terra. Por que Ele fala disso? O Reino de Deus não é um lugar, mas é um conjunto de práticas e de pessoas que tentam conviver em justiça, harmonia e paz como sociedade. Se existe um Reino, existe um padrão e uma prática. Ele disse em Lucas 22.29:

“E Eu lhes designo um Reino, assim como meu Pai o designou a mim”.

Amar a Deus e ter o Seu reino e Sua justiça em primeiro lugar na nossa vida, amar as pessoas e até os inimigos, ser reto, ser íntegro, ser fiel e santo, estar comprometido com Cristo, ser quebrantado para se arrepender, para perdoar e servir uns aos outros. São estas coisas que Jesus nos mandou fazer.

“Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra”, disse Jesus em Lucas 6.29, trazendo para nós e para o mundo um senso de justiça completamente diferente ao que estamos acostumados no reino do “olho por olho”. “Os valores do Reino arraigados em profundo amor e na eterna graça de Deus, semeiam novas formas de pensar e viver. Originam-se do amor de Deus, não de um impulso de se opor ou abster do restante da sociedade”, afirma Donald Kraybill, no livro “O Reino de ponta-cabeça”.

“Existe uma chance de ser novamente feliz. Brasil há uma esperança! Volta teus olhos pra Deus, justo juiz!”, canta João Alexandre. O desafio é viver uma vida que leve a sério as práticas do Reino de Deus e que as aplique à procura de acabar com o sofrimento do próximo. Ou seja, uma vida que busca incansavelmente a justiça. Como escreve Kraybill: “Mais do que ideias empoeiradas na lixeira da história, a mensagem do Reino vai ao encontro de nossos problemas hoje. A ética do Reino, traduzida ao nosso contexto contemporâneo, sugere como devemos ordenar nossas vidas.”

A lei da época mandava apedrejar a mulher pega em adultério (João 8). Aquilo era “justiça”. Mas Cristo mostrou naquele momento a justiça do Reino de Deus em ação ao afirmar: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela" (8.7), mostrando como aquilo era diferente ao proposto em nossos dias. Isso foi o que Jesus fez, viver um padrão de justiça que não fazia sentido para a época, mas que marcou a história.

 

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