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Sem cristãos até 2030

A nova face da perseguição religiosa

O cristianismo, já há bastante tempo, é a maior religião do mundo. Hoje, são mais de dois bilhões de seguidores espalhados pelo globo. Deles, um em cada 12 vive em países onde ser cristão é proibido. E as penas para o “crime” vão de multas até sentença de morte.

Com uma população majoritariamente hinduísta, a Índia tem se tornado um desses países. Desde 2014, com a chegada de Narendra Modi ao poder, o nível de perseguição, que já era alto, aumentou ainda mais. Hoje, o governo trabalha, inclusive, com uma meta: tornar todos os indianos seguidores do hinduísmo até 2030, o que coloca os mais de 60 milhões de cristãos do país numa situação bem complicada.

Grupos radicais têm usado a violência extrema para cumprir esse objetivo. Muitos ex-hinduístas que se convertem ao cristianismo sofrem preconceito pelos próprios familiares e têm suas vidas colocadas em risco todos os dias, já que o governo faz vista grossa aos casos de agressão.

A situação da Índia é preocupante. Hoje, o país ocupa o 11º lugar na Lista Mundial de Perseguição e está em uma condição de perseguição severa aos cristãos. A lista, organizada pela Portas Abertas, conta com mais 49 países, com situações semelhantes ou até piores que a dos cristãos indianos.

Em primeiro lugar há 16 anos está a República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte. Lá, o povo deve adorar somente à família Kim, que governa o país desde a sua fundação, em 1948. Os cristãos norte-coreanos praticam a sua fé de forma completamente secreta, escondendo-a, inclusive, de suas famílias. Os que são descobertos, acabam indo para os famosos, e também secretos, campos de trabalho forçado, onde são tratados com violência extrema.

Apesar do altíssimo nível de perseguição, estima-se que, hoje, cerca de 300 mil norte-coreanos se entregaram a Cristo e se reúnem em igrejas domésticas.

A Portas Abertas tem acompanhado a perseguição a cristãos ao redor do mundo desde a década de 1970. A Lista Mundial de Perseguição é uma de suas principais ferramentas e avalia a liberdade que um cristão tem individualmente, em seu relacionamento com a família, em sua comunidade, na nação e na igreja, e checa também a ocorrência de casos de violência. Os países são divididos em quatro níveis de perseguição: extrema, severa, alta e variada.

Neste ano, depois da Coreia do Norte, os países que se mostraram mais hostis ao cristianismo são o Afeganistão, a Somália, o Sudão, o Paquistão, a Eritreia, a Líbia, o Iraque, o Iêmen e o Irã. Todos com situações de perseguição severa.

Na China, outro país asiático e 43º colocado na lista, o governo proibiu no último mês a venda de Bíblias pela internet. Essa era a única maneira de os cristãos chineses terem acesso à Palavra de Deus.

A perseguição no país da Copa

A Rússia é o país da vez. Além dos inúmeros comentários sobre o relacionamento do presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder russo Vladimir Putin, e sobre a influência russa na guerra da Síria, o país este ano sediará a Copa do Mundo, o maior evento de futebol que existe.

Mas, um assunto que parece ignorado quando se trata da Rússia. Apesar de não aparecer na Lista Mundial de Perseguição da Portas Abertas, o país não é visto como um lugar seguro para cristãos. Em 2016, por exemplo, Putin assinou uma série de leis, chamadas pelo governo de antiterroristas, que proíbem o evangelismo fora das igrejas. Ou seja, convidar um amigo ou, até mesmo, um estranho, para visitar a sua célula ou para ir a um culto é considerado crime. Muitas pessoas, inclusive, já foram presas por causa da nova legislação.

A questão não parece tão grave quanto a de lugares onde as pessoas perdem a sua vida por causa da fé, mas, ainda assim, é preocupante. Situações de perseguição extrema começam com esse tipo de proibição e acabam levando a cenários muito piores.

O que nós podemos fazer?

Para nós, cristãos livres – que não enfrentamos nenhum tipo de perseguição ou violência pelo fato de seguirmos a Cristo –, chega a ser difícil imaginar que ainda existem situações como essas, em que ter uma Bíblia pode causar sérios problemas, em que as próprias famílias perseguem e até matam os parentes que se convertem ao Evangelho. Mas não podemos ignorar essa realidade. E, como Corpo de Cristo, também temos um papel neste cenário.

Muitas organizações têm trabalhado para ser um apoio aos perseguidos, enviando Bíblias e materiais, dando treinamentos, mandando suprimentos e encorajando, como é o caso da Portas Abertas, da Voz dos Mártires e da Missão Mais no Mundo. Através delas, você pode ser uma fonte de amor e suporte, doando para os projetos que alcançam aqueles que vivem em países hostis ao cristianismo.

E, o mais importante, lembre-se de orar. Ore pela Coreia do Norte, pela Índia, pela Rússia. Não apenas para que a perseguição cesse, mas para que os nossos irmãos continuem firmes, sejam fortes e corajosos, e para que muitos outros sejam alcançados.