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Fake news

42% dos brasileiros já compartilharam notícias falsas nas redes sociais

Mais de cinco horas por dia. Esse é o tempo que costumamos passar na frente de um computador. Quando se trata de tablets e smartphones, são, em média, quatro horas diárias.

No país que é o terceiro em número de usuários do Facebook, a maior rede social do mundo, talvez esses números não sejam uma surpresa. Mais de 117 milhões de brasileiros são usuários ativos da rede de Mark Zuckerberg. Quando se trata da troca de mensagens, também somos expressivos: mais de 120 milhões de brasileiros usam o aplicativo do WhatsApp.

Para o educador e filósofo Mario Sérgio Cortella, isso acontece porque as redes sociais, como o próprio nome já diz, são redes de relacionamentos. Ele afirma que temos a natureza de agregar, por isso somos atraídos por esse tipo de ferramenta.

Segundo pesquisa realizada pelas agências Advice Comunicação Corporativa e BonusQuest em 2016, 78% dos brasileiros disseram recorrer a sites como o Facebook ou aplicativos como o WhatsApp para se informar. Mas, em meio a tanta informação, será que esse é um hábito seguro?

A mesma pesquisa mostrou que não: no Brasil, 42% afirmam já ter compartilhado notícias falsas e apenas 39% checam com frequência uma informação antes de compartilhá-la. Isso mostra que muita gente foi – e ainda tem sido – enganada por manchetes que pareciam ser de verdade, mas não eram.Box fakenewsJAN18

Mas isso não foi realidade só no Brasil. O boom das “fake news” (notícias falsas) rodou o mundo. Em meio às eleições presidenciais norte-americanas, o Facebook foi atacado de todos os lados por conta de notícias falsas sobre os candidatos. Fato ou não, o caso foi tão preocupante que a empresa recorreu a agências de checagem de informação para avaliar postagens denunciadas pelos usuários. Hoje, se um compartilhamento for denunciado muitas vezes, recebe um sinal de alerta, dizendo que a informação está sendo apurada e que poder ser verdadeira ou não.

Apesar da iniciativa, a confiança nas redes sociais caiu. Outra pesquisa, realizada pela empresa Kantar no Brasil, na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos, revelou que mais de três quartos dos consumidores de notícias passaram a confiar mais nas mídias impressas. Os mais jovens têm sido ainda mais criteriosos: 42% dos entrevistados de 18 a 34 anos afirmam terem pago por algum tipo de conteúdo no último ano.

Compartilhar uma informação da qual não temos certeza pode parecer inofensivo, mas não é. Em 2014, no Guarujá, o retrato falado de uma suposta “sequestradora de crianças que praticava rituais de magia negra” foi postado em uma página de notícias da cidade e compartilhado por muitos moradores. Fabiane Maria de Jesus foi confundida com a foto do anúncio e, por isso, foi amarrada, espancada e morta pela população.

A questão vai muito além dos “likes”, envolve um compromisso com a verdade, mesmo que ela não traga fama a ninguém. E, para nós cristãos, esse compromisso deve ser ainda maior. Em sua carta aos Filipenses, Paulo nos aconselha: “encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente” (4.8).

Algumas atitudes podem nos ajudar a usar as redes sociais com mais segurança e profundamente comprometidos com a verdade:

CONFIRA A FONTE DA NOTÍCIA

Há muitos sites que veiculam notícias falsas ou mesmo sites de humor. Procure por fontes de páginas oficiais ou jornais de confiança. Existem também páginas que publicam farsas da internet, como o www.e-farsas.com .

USE O BOM SENSO

Na maior parte das vezes, notícias absurdas não são reais ou, pelo menos, não são completamente reais. Por isso, precisamos usar o senso crítico com relação ao que lemos.

LEIA A NOTÍCIA ATÉ O FINAL

Muitas pessoas compartilham notícias das quais leram apenas o título. Às vezes, as manchetes escondem informações ou são distorcidas só para chamar a atenção.

CONFIRA A DATA DA NOTÍCIA

Apesar de serem verdadeiras, muitas notícias antigas acabam sendo compartilhadas nas redes como atuais. Por isso, é sempre bom conferir a data da notícia. Se o site não fornecer essa informação, já é um ótimo motivo para não compartilhar.

ESTÁ EM DÚVIDA? NÃO COMPARTILHE!

Se você realizou os passos acima e ainda não tem certeza se a notícia é verdadeira ou não, não compartilhe. É melhor deixar de ganhar algumas curtidas do que espalhar informações falsas.