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Culpa e graça

Quem entende a grandeza do favor recebido se entrega totalmente ao amor de Deus

Segundo o dicionário, “culpa” se refere à responsabilidade dada à pessoa por um ato que provocou prejuízo material, moral ou espiritual a si mesma ou a outrem. É um sentimento que se apresenta quando o sujeito avalia seus atos de forma negativa, sentindo-se responsável por Box culpaegracafalhas, erros e imperfeições. Segundo os psicólogos, a culpa é algo que atormenta os seres humanos.

A Palavra de Deus nos ajuda a entender um pouco melhor o tema. O texto de Lucas 7.36-50, que em muitas versões da Bíblia leva como título: “Uma pecadora unge Jesus”, é bem conhecido de todos nós. A narrativa conta que o Mestre tinha sido convidado por um fariseu para jantar na sua casa. Mas as intenções daquele religioso não eram precisamente de honrar o ilustre convidado, mas de tentar enredá-lo em alguma situação que servisse de prova para condená-lo.

Prova disso é a forma como Jesus foi recebido. Naquela época as refeições não eram feitas numa mesa com cadeiras. As casas tinham uma mesa no centro da sala e uma espécie de sofá, onde as pessoas ficavam quase que deitadas de um lado do corpo e utilizavam a mão livre para pegar os alimentos. Os pés das pessoas ficavam para fora daquela poltrona, pois estavam muito sujos de trilhar as estradas poeirentas da região. Assim, o costume da época indicava que ao receber uma pessoa importante, o empregado da residência deveria lavar os pés daquele convidado. Além disso, ele seria recebido com um beijo – o ósculo – pelo dono da casa e seria ungido. Mas nada disso aconteceu, e Jesus se reclinou naquela poltrona sabendo já que não era bem recebido.

Aquelas refeições eram feitas em salas abertas, chamadas de cenários. E era permitido que as pessoas da cidade fossem lá, para assistir a conversa e aprender com o ensino e o conhecimento que os convidados dispensavam. Assim é que entra em cena uma mulher, uma prostituta. E ela chega e se ajoelha aos pés do Mestre.

Contrário ao que muitas vezes pensamos ou ouvimos, ela não entrou naquela casa para pedir perdão pelos seus pecados. Ela foi lá para adorar Jesus.

O Mestre já estava naquela cidade anunciando o amor e o perdão de Deus há alguns dias. E aquela mulher já o tinha ouvido falar sobre isso. Suas lágrimas, que muitas vezes pensamos que eram fruto da amargura do pecado, eram na verdade fruto do perdão que tinha recebido no seu coração e da indignação pelo absurdo tratamento que o Messias estava recebendo.

Simão, o fariseu, ficou muito agitado com essa situação. Ele não estava preocupado com o fato de que uma mulher pecadora estava tocando em Jesus. O que o transtornava era o fato de uma prostituta dar a Ele as honras que os fariseus não lhe davam, e de ela ter interrompido a humilhação pública a que Cristo estava sendo submetido.

É nesse momento que Jesus convida o dono da casa a fazer uma reflexão: “Se um credor perdoa a dívida de dois de seus devedores, quem o amará mais?” E o fariseu responde: “Aquele a quem foi perdoada a dívida maior”. Cristo trata a questão do pecado como uma dívida que não temos a menor condição de pagar.

E a parábola traz uma excelente notícia: o credor já havia decidido que ele iria perdoar as dívidas de todos os devedores. E isso é o perdão que é pura graça de Deus. Todos nós tínhamos uma dívida muito grande com o Pai, e Ele resolveu nos perdoar.

Romanos 5.8 diz:

“Mas Deus dá prova do Seu amor para conosco em que quando éramos ainda pecadores Cristo morreu por nós.”

A graça vem antes das obras. O amor é a prova do perdão. Quem entende a grandeza do favor recebido se entrega totalmente ao amor de Deus, assim como aquela prostituta o fez.

Não são os bons que Deus escolhe, mas os desprezados. Não são os que negam a sua culpa, mas os que confessam e se arrependem. A resposta para a culpa não está em negá-la, mas no perdão e na graça oferecida por Jesus. Isso nos transforma e nos traz verdadeira liberdade.

A graça de Deus é eficiente e suficiente para remover de nós toda a culpa. Somos livres porque Deus já nos perdoou!

 

PA