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Assim como nós também perdoamos

Um coração satisfeito com a misericórdia de Deus alegra-se no cancelamento da própria dívida

No mundo em que vivemos, a prática das injustiças é a tônica mais acentuada que testemunhamos no que diz respeito ao relacionamento entre os homens (Dt. 24.17; Sl. 82.2; Ec. 3.16; Mi. 2.9). Há experiências muito desagradáveis pelas que muitos, por vezes, passamos: traições,Box assimcomonosperdoamos separações, calúnias, ofensas, mentiras, abuso, abandono, desprezo, etc. A grande maioria dessas dores e ofensas surge dos relacionamentos quebrados com as pessoas mais próximas. Quanto mais íntima for a pessoa, maior a chance de nós, ou o outro, nos ferirmos. É aí que o perdão deve entrar em ação.

A palavra “perdão” no grego, aphiêmi, desde a antiguidade significa a “soltura voluntária de uma pessoa ou coisa sobre a qual alguém tem controle legal ou real”. Ou pode ser ainda: deixar ir, soltar, deixar passar, deixar ir sem castigo, etc. Mas o aspecto mais importante a entender é que trata-se de um processo mental e espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo. É a firme decisão de absolver da condenação.

Perdoar é tão importante que, quando nos ensinou a orar, Jesus disse:

“perdoa nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofendem” (Mt. 6.12).

E foi Ele mesmo quem explicou a importância dessas palavras:

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas” (Mt. 6.14-15).

Cada dia que passa, pecados pequenos e pecados grandes vão acumulando uma dívida que esmagaria qualquer esperança se não fosse o perdão de Deus. Só quando enxergamos o quanto devemos a Deus é que vamos entender como é pequena a dívida de nosso irmão para conosco. Para nos poupar da morte que o pecado traria, Jesus teve que morrer em nosso lugar. À medida que compreendemos o quanto Deus nos perdoou e o quanto Seu perdão custou, é que podemos perdoar quem pecou contra nós. Mas, o inverso também é verdade. Se não conseguimos perdoar o irmão é sinal de que ainda não compreendemos o quanto custou ao nosso Pai para que fôssemos perdoados.

O perdão flui de um coração satisfeito com a misericórdia de Deus e alegra-se no cancelamento da nossa própria dívida. No livro “O regresso do Filho Pródigo”, Henry Nouwen escreve: “O perdão de Deus é incondicional; brota de um coração que não reclama nada para si, de um coração completamente vazio de egoísmo. É o seu divino perdão que tenho de praticar na minha vida cotidiana. É um chamamento a passar por cima de todos os argumentos que dizem que o perdão é pouco prudente, pouco saudável e nada prático.”

É preciso entender que, quem não perdoa a quem lhe ofendeu, sofre consequências:

  • Suas orações ficam bloqueadas e o perdão dos seus próprios pecados também fica retido (Mt. 6.12-15);
  • Atrai para si verdugos - espíritos atormentadores (Mt. 18.21-35; 1 Sm. 16.14-15; At. 5.16).

O projeto eterno de Deus é o de ter uma família com muitos filhos semelhantes a Jesus. Por isso esta família não pode viver de qualquer jeito, de modo que as pessoas se relacionem segundo os princípios que vigoram no mundo. O Senhor quer que a Sua glória, natureza e maneira de ser sejam vistas pelos homens através da maneira como nos relacionamos (Jo. 17.22-23), e a grande ênfase destes relacionamentos deve ser o amor (Jo. 13.35 e 1 Jo. 3.23), porque Deus é amor (1 Jo. 4.7-8).

O perdão é uma maneira prática de expressarmos o amor do Pai uns pelos outros (Ef. 5.1-2). A Bíblia nos ensina em Efésios 4.32:

“Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”

E em Colossenses 3.13:

“Suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra o outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vos também.”

Aqui estamos nós diante do grande desafio da vida cristã: sermos parecidos com Jesus.

Em nós, humanamente falando, não há condição de expressar este estilo de vida. Mas agora, em Cristo, onde fomos colocados, em Sua morte e ressurreição, ganhamos a capacidade de manifestar a justiça do Reino de Deus, para onde fomos transportados (2 Co. 5.14-15 e Fp. 2.13-15). Expressar a vida de Cristo é, portanto, mera consequência, pois “segundo Ele é, também somos nós neste mundo” (1 Jo. 4.17). Vamos juntos mostrar ao mundo o caminho do perdão, o caminho de Jesus.

CarlosAlbertoBezerra02