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“Ser ou não ser, eis a questão”

Esta frase está na peça “A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca”, de Willian Shakespeare.

Trazendo para os dias de hoje, nós, os cristãos, que vivemos em comunidades onde a proposta de comunhão, edificação e multiplicação ocorre prioritariamente por meio das células, ouvimos por vezes a frase: “cada membro um líder, cada casa uma igreja”.

Dessa forma, nossas pregações, nossos cursos, seminários e tudo o que fazemos deve ser direcionado nesse sentido. Porém, quando nos deparamos com a realidade dos resultados, vemos certa distância do que nos propomos, e não poucas vezes, bate-nos um certo desânimo por não vermos todas as pessoas assumindo a posição de, como membro, também ser um líder.

Eis, então, a questão: ser ou não ser?

O apóstolo Paulo fala sobre isso em Efésios 4:

“E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo. (...) Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e dos conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (v. 7, 11-13).

Nem todos foram chamados para liderar, nem todos vão se tornar líderes de células. Mas devemos lembrar que liderar pelos moldes de Jesus é principalmente servir, e não ocupar posição de destaque. Todos nós fomos chamados para uma mesma missão, um mesmo propósito: fazer discípulos de Jesus.

Em Mateus 28.19-20 está escrito:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”.

Com base nisso, Jesus nos chamou para ser e fazer discípulos!

Antes que você me crucifique, quero expressar que entendo claramente e experimento na prática que a melhor forma (depois da amizade) de se fazer discípulos é por meio dos grupos menores, chamados células. Sei que Jesus usou, sim, os grupos menores para discipular, edificar e cuidar, assim como fizeram os apóstolos.

É este aspecto que relaciono ao ser ou não ser, pois creio que entendermos o chamado de ser e fazer discípulos tem maior eficácia na vida do cristão do que o ensino de que todos devem liderar. Muitas vezes, o peso da palavra líder, sendo ela substituída por facilitador, dirigente ou qualquer eufemismo que amenize a responsabilidade de uma liderança, é que tem impedido muitos cristãos de experimentar o chamado de Cristo e seu cumprimento.

Se começarmos a fazer discípulos, andando e convivendo com eles, ensinando-os a guardar os princípios bíblicos, certamente (e biblicamente), eles serão levados pelo Espírito Santo a gerar discípulos como consequência do que têm vivido. Eles experimentarão que não há peso e nem “obrigação” de serem líderes de células.

Liderar é uma consequência – que deve envolver capacitação – daqueles que são e fazem discípulos. Não tenho a menor dúvida de que a paixão por reproduzirmos aquilo que experimentamos é muito maior do que qualquer ensino que possamos receber em sala de aula ou de púlpitos.

Por último, e também o mais importante, se desenvolvermos nosso discipulado revestidos do poder que vem do alto, certamente cumpriremos a missão de ser e fazer discípulos. Assim, também experimentaremos e levaremos nossos discípulos a experimentarem os milagres, os prodígios, os sinais e as maravilhas de uma vida cheia do Espírito Santo. Além disso, teremos prazer em liderar, prazer em ter células e prazer em cumprir o chamado de Cristo de forma plena!

Como Mateus 28.20 diz: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”, temos a garantia da presença dele. Afinal, sim, a questão é SER, ser como Ele neste mundo, para que o mundo creia que Ele existe, salva, vive e reina em nós e através de nós!

 

HoracioPerim