omaiorSET18

O maior entre vocês

Como Jesus definiu isso?

Mateus 18.1, Marcos 9.33-34 e Lucas 9.46 registram o mesmo episódio. Numa discussão, os apóstolos queriam saber: “Quem é o maior?”. Ou seja, eles pretendiam ter poder, título: “Quem manda? Quem é o chefe?”. Não partiram do pressuposto de “será que há um maior que o outro?”. Imaginavam que haveria algum mais importante do que o outro, só queriam saber qual.

A resposta de Jesus é clara e direta:

“Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. E, lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes: ‘Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou’” (Mc. 9.35-37).

Ou seja, o mestre afirma que o Reino de Deus não funciona do jeito em que os apóstolos estavam pensando. Não há título, posição, glória.

Jesus tinha acabado de falar sobre Sua morte pela segunda vez, quando aquela discussão surgiu. Alguns dias depois, segundo Mateus 20, Ele falaria pela terceira e última vez sobre Seu sacrifício, mas o assunto daquela briga ressurge quando a mulher de Zebedeu, mãe dos apóstolos João e Tiago, se aproxima. Os versos 20 e 21 dizem que ela chegou “adorando-o” e pediu: “Por favor, permita que no seu Reino, meus dois filhos se sentem em lugares de honra ao seu lado”. Será que existe adoração com segundas intenções, interesseira?

A Bíblia é maravilhosa porque abre o jogo. Mostra claramente como é o coração do homem e como Deus lida com isso. Aquela mulher quis fazer seu “papel de mãe” de interceder pelos seus filhos para lhes arrumar um lugar melhor, específico. Ela não “perdeu tempo” com discussões, foi direto no chefe para resolver.

De forma muito doce, Jesus responde no verso 22:

“Vocês não sabem o que estão pedindo! São capazes de beber do cálice que estou prestes a beber?”.

Mas eles não entenderam e, com arrogância, responderam: “Somos”. Imagina se, no meio de uma obra na casa, uma criança de 5 anos de idade chega para seu pai, que carrega sacos de cimento, e diz: “Deixa te ajudar carregando um deles. Eu aguento”. O que os filhos daquela mulher fizeram foi a mesma coisa. Eram como crianças sem noção daquela carga, daquilo que estavam afirmando.

Então Jesus lhes disse:

“De fato, vocês beberão do meu cálice. Não cabe a mim, no entanto, dizer quem se sentará à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai preparou esses lugares para aqueles que Ele escolheu” (Mt. 20.23).

Ouvindo isso, os outros dez discípulos ficaram “indignados” (v. 24). Mas na cabeça deles não estava o pensamento: “Como é que alguém vai perguntar um negócio desses?”. Eles ficaram raivosos imaginando que, com aquela atitude, os dois irmãos tinham passado na frente na briga por saber quem era o maior, que tinham sido mais “espertos”. O ser humano quer título, cargo, posição. E ele vai fazer qualquer coisa para alcançar isso. Mesmo que isso signifique usar a mãe ou adorar por interesse. Nosso coração é corrupto e perverso.

Percebendo o clima de insurreição, de disputa de poder, Jesus os chama e, antes que alguém chegue no ponto de se intitular e tentar mandar nos outros, encerra a discussão:

“Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mt.20.25-28).

Ele corrigiu os relacionamentos dentro da Sua casa e deixou uma mensagem para quem exerce qualquer nível de liderança, discipulado, para qualquer um de nós: “Não será assim entre vocês”.

O critério para exercer qualquer tipo de autoridade dentro do corpo de Cristo está baseado no quanto você ama a outra pessoa, quanto você está disposto a servi-la. Uma das forças mais corruptoras do homem é o poder, a autoridade. Não somente no poder político, mas na farda, na igreja, numa empresa, numa escola, em qualquer lugar. O poder corrompe. É o princípio que corrompeu Satanás. Um lugar de autoridade pode gerar no coração de quem o ostenta um coração altivo, e, do outro lado, ciúmes. Por isso é tão maligno. E dentro da igreja, isso é absolutamente destruidor. Acaba com relacionamento, discipulado, comunhão, serviço mútuo. Estraga tudo!

Cada um dos que exercem um papel no corpo de Cristo o faz para servir. Não é posição, é serviço. Por uma questão de maturidade, a Bíblia nos ensina a assumir diferentes responsabilidades de serviço para a edificação do corpo de Cristo. Mas ninguém é melhor nem mais importante. Que possamos, com temor, continuar zelando pela comunhão. Servindo uns aos outros em humildade, procurando ser mais parecidos com Cristo e sem tentar discernir quem é maior. Isso não é ser igreja. “Não será assim entre vocês”.

 

VirgilioNunes