Vá e abençoe

Princípios para entender e praticar de forma sadia a liderança e a autoridadevaeabencoeSET18

Ao longo dos meus mais de 50 anos de ministério, tenho falado sobre como um líder deve tratar seus discípulos, enfatizando, em todo tempo, que a liderança deve ser em amor e serviço. A arbitrariedade ou a procura do benefício próprio são a deformação pecaminosa do princípio dado por Deus, e levarão, inevitavelmente, ao tão temível e rejeitável autoritarismo. Por isso, é muito importante que todos, como corpo de Cristo, possamos entender que quem recebe autoridade deve usá-la para abençoar e não para controlar.

Na época dos juízes, o povo de Israel vivia caindo sob o jugo dos inimigos. Rejeitavam a autoridade divina e não havia autoridade humana estabelecida. Não havia rei em Israel (Jz. 21.25). Cada juiz se levantava para exercer um ministério de pequena duração. Por outro lado, quando os reis foram estabelecidos, a nação judaica conheceu sua época de maior prosperidade em toda a história, principalmente no reinado de Salomão. Mas, quando os reis começaram a se corromper, distanciando-se do padrão deixado por Davi, todo o povo também foi se perdendo até que foram para o cativeiro.

A melhor parte da história de Israel corresponde ao período em que havia uma liderança estabelecida por Deus e que dirigia o povo de acordo com a vontade divina. Todo grupo precisa de uma liderança. Se ela não existir, cada um fará o que bem lhe parecer, até que o grupo se desintegre. Por outro lado, se a liderança existe, mas não é obedecida, é como se não existisse. Os resultados serão, da mesma forma, fracasso e desintegração do grupo.

Muitas vezes, a relação autoridade-submissão é confundida com um confronto entre poder e impotência, força e fraqueza. A liderança existe para que o grupo tenha direção, para que os recursos humanos e materiais possam ser corretamente direcionados visando o objetivo comum. Não significa que o líder seja maior ou mais importante que os seus liderados. Portanto, o líder não deverá se sentir superior nem o liderado inferior. Todos são importantes. O líder precisa do grupo e vice-versa.

Todos nós estamos envolvidos em autoridade e submissão em diversas áreas de nossas vidas. Numa empresa a autoridade é exercida a partir daqueles que a constituíram, portanto, os que concordam em trabalhar para ela, submetem-se à sua autoridade. Numa democracia como a que temos no nosso país, os eleitores delegam autoridade para que outros os governem – por isso é tão importante ouvir a Deus com cuidado antes de exercer nosso voto.

Existem princípios que devemos conhecer para podermos entender a prática sadia da liderança e da autoridade:

1. Toda autoridade vem de Deus e deve submeter-se a Ele (Rm. 13.1-2).

Não há nada acima dele ou da Sua Palavra. Em Mateus 8.8-9, o centurião recebe Jesus em sua casa e declara: “Pois eu também sou homem sujeito à autoridade”. Aquele homem estava reconhecendo que Cristo estava debaixo de autoridade e por isso podia exercê-la, e as coisas seriam feitas como ordenadas. De fato, o Mestre sempre declarou que fazia apenas o que o Pai lhe pedia para fazer. Isso nos leva ao segundo princípio.

2. Há autoridade direta e autoridade delegada.

A direta é a de Jesus sobre a vida de cada cristão. E a delegada é a que recebemos dele para fazermos discípulos como registrado na Grande Comissão no livro de Mateus.

3. Só podemos exercer autoridade se estivermos submissos a uma.

Não somos Deus. Se reconhecemos o fato de que não há nada além dele, então Ele é Senhor. Logo, precisamos estar submissos à autoridade direta do Senhor, através do Seu Espírito Santo (Rm. 14.7-11), e às autoridades delegadas por Ele – se somos membros do corpo de Cristo, não agimos de maneira independente, mas submissos ao Cabeça; assim também na estrutura da igreja.

4. Nossa autoridade sobre o diabo depende de nossa submissão à autoridade.

É o caso registrado em Atos 19.13-16, que tiveram de ouvir de um demônio: “Jesus, eu conheço. Paulo, eu sei quem é. Mas vocês, quem são?”, antes de serem atacados. Quando um servo de Deus ordena algo para o diabo, este é obrigado a obedecer. A razão disso é exclusivamente a autoridade do próprio Senhor Jesus Cristo na vida desse servo. E nesse caso, o inimigo não tem alternativa senão obedecer, sob pena de ser atingido pelo exército de Deus. Bendito seja o nome do Senhor, pela autoridade que nos é delegada em Jesus Cristo!

5. Quem recebe autoridade deve obedecer e honrar a Deus acima de tudo.

O diabo não teme nossas pregações ou discursos. Ele teme quando debaixo de autoridade oramos e obedecemos a Deus.

Precisamos nos santificar a Deus por meio da obediência. Cientes de que não há capacidade em nós, mas que dependemos constantemente dele para exercermos qualquer tipo de autoridade. Cientes de que a vaidade é um veneno que devemos rejeitar, pois é o cenário da ruína.

Precisamos exercer a autoridade com base na Palavra de Deus, com amor e compaixão e sempre para abençoar, nunca para amaldiçoar. Disse Jesus:

“Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt. 28.18-20).

Assim devemos fazer.

 

CarlosAlbertoBezerra02