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Missão: Mulher

Encontrando liberdade para ser quem fomos criadas para ser.

Celina Guimarães Viana. Provavelmente, a maioria de nós nunca ouviu esse nome e nem o reconhece. Celina era uma professora que vivia na cidade de Mossoró, interior do Rio Grande do Norte. Sua vida não foi cheia de muitas realizações importantes, ela não foi uma mulher famosa e nem teve grandes feitos. Mas seu nome ficou marcado como o da primeira eleitora brasileira. No dia 5 de abril de 1928, 90 anos atrás, Celina dava o primeiro voto de uma mulher no Brasil.

Desde então, muita coisa mudou. Hoje, o Brasil tem mais de 144 milhões de eleitores, sua maioria composta por mulheres. E não foi só isso que evoluiu desde a época da primeira eleição de Celina. As mulheres têm tido uma participação muito mais ativa no mercado de trabalho e são maioria nas universidades.

Esse parece um retrato muito melhor, mas, mesmo em meio a tantas boas mudanças, a mulher ainda enfrenta discriminação e violência. Seu salário ainda é, pelo menos, 15% menor que o de homens que ocupam os mesmos cargos, a violência doméstica ainda tem níveis abismais, o assédio sexual tem marcado muitas histórias e o feminicídio tem se mostrado uma realidade triste no nosso país – o Brasil tem a quinta maior taxa de homicídios de mulheres.

Em meio a tudo isso, a luta por igualdade, independência e maior valorização tem levado muitas a uma falsa sensação de liberdade, à perda da sua verdadeira identidade e a uma vida de disputa com os homens. O chamado ao “empoderamento feminino” tem formado mulheres egoístas e exigentes, que trabalham sozinhas e olham somente para o seu benefício.

Apesar de ser justo buscar nossos direitos, não é essa vida confusa e cheia de inseguranças que a Palavra nos promete. Foi para liberdade que Cristo nos libertou, não precisamos ser escravas de mais nada (Gl. 5.1)!

Essa liberdade vem através do Evangelho. Jesus veio ao mundo parar morrer e nos dar uma vida nova, uma vida diferente. E essa vida não é cheia de diferenças entre uns e outros, mas expressa o valor que todos temos para o nosso Pai. Ele não olha para homens e mulheres em patamares diferentes, olha como Seus filhos, criados para trabalharem juntos, mesmo tendo funções diferentes.

O apóstolo Paulo falou um pouco sobre isso em sua carta aos Colossenses: “Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos” (3.11). Jesus veio para derrubar as barreiras que nos separam. O verdadeiro Evangelho liberta os cativos!

Nós somos parte de um corpo que precisa fluir em conjunto para permanecer vivo. Por isso, não adianta lutarmos uns contra os outros. Quando homens e mulheres têm firmeza de sua identidade e de seu papel no Reino de Deus, podem trabalhar juntos para estabelecer os valores deste Reino na terra.

Uma mulher que é verdadeiramente livre e cheia de poder é aquela que é cheia do Espírito Santo e que deixa que o Senhor mostre o seu lugar. Esse lugar não é inferior e nem menor, mas é no centro da Sua boa, perfeita e agradável vontade.

Quanto mais cheias do Espírito Santo formos, mais encontraremos a nossa identidade como mulheres do Reino de Deus. Sem necessidade de lutarmos pela nossa posição, sem confusão e sem disputas. Somente com um coração totalmente entregue Àquele que nos ama e que nos formou para cumprir o Seu propósito.

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COMO, ENTÃO, DEUS NOS CHAMOU PARA VIVER?

Para que possamos viver essa vida livre e abundante preparada por Deus para nós, precisamos ter clareza das nossas atribuições e ter as nossas prioridades em ordem.

A mulher hoje tem muitas responsabilidades. Ela cuida da casa, educa os filhos, mantém sua vida profissional, serve a igreja, discipula outras mulheres. Mas todos esses papéis não podem ser cumpridos com excelência se não entendermos o que o Senhor espera de nós.

Fomos chamadas para ser cooperadoras de Deus (1Co. 3.9). Como isso se encaixa na nossa realidade diária?

A auxiliadora
O começo do livro de Gênesis narra a criação. Fala sobre como Deus fez surgir todas as coisas. No capítulo 2, em uma frase, Ele mostra qual a Sua intenção em formar a mulher: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (v. 18).

Outras versões falam da ajudadora idônea. Idônea é aquela que ajuda, compreende, completa, estimula, que é ombro e coluna, que é fiel e completamente capaz.

É difícil imaginar um corpo sem a coluna vertebral, mas assim é uma família que tem uma mulher que não entende o seu papel de ajudadora.

Isso não nos faz menores ou menos importantes, muito pelo contrário, nos mostra o lugar que é destinado a nós e que ninguém mais pode ocupar. “A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata derruba a sua” (Pv. 14.1). Temos o poder de construir ou destruir, e isso depende de assumirmos o nosso papel e cumpri-lo com a ajuda do Senhor.

A irrepreensível
Em sua primeira carta a Timóteo, Paulo diz: “As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo” (3.11). Esse texto destaca quatro qualidades importantes de uma mulher irrepreensível:

Digna – É ser respeitável, digna de consideração. Isso se expressa na maneira como falamos, como nos portamos e como nos vestimos. A nossa conduta e o nosso proceder devem ser dignos do respeito das outras pessoas.

Não caluniadoras – Ser sábia no falar e ter a instrução e a bondade em seus lábios (Pv. 31.26). Não ser caluniadora é não ser fofoqueira, não ficar falando da vida das outras pessoas e não ser maldizente. Uma mulher que não entende o seu papel, gasta seu tempo causando confusão e divisão.

Sóbrias – Temperantes, moderadas. Isso envolve, principalmente, os momentos de crise. Muitas vezes, perdemos a paciência por coisas tão pequenas. Conseguimos mudar isso quando nos despimos no velho homem e nos revestimos do novo, quando estamos comprometidas com a Palavra de Deus e com nosso relacionamento com Ele.

Confiáveis em tudo – Fidelidade em tudo o que fazemos, cumprir tudo aquilo com que nos comprometemos. A Palavra fala que aquele que é fiel no pouco, será colocado sobre o muito (Lc. 16.10). Precisamos ser fiéis nas mínimas coisas, até que tenhamos que ser fiéis nas grandes coisas.

A firme e incansável
No Senhor, nada do que fazemos é em vão. Não podemos nos cansar de fazer o bem: “Sejam fortes e não desanimem, pois o trabalho de vocês será recompensado” (2Cr. 15.7). Deus pede que sejamos perseverantes, porque Ele vai responder à nossa perseverança.

Muitas vezes, desanimamos por causa dos desafios e das dificuldades que encontramos no meio do caminho. Precisamos nos lembrar de que as provações que passamos não são apenas sofrimentos, são o aperfeiçoamento do nosso caráter.

Deus nos chamou para sermos mulheres fortes, incansáveis e cheias da Sua presença, para que possamos abençoar muitas pessoas. O que vence o mundo é a nossa fé inabalável em Cristo

A vitoriosa
Deus nos fez mais que vencedoras em Cristo. Podemos viver como mulheres vitoriosas, porque Jesus já venceu tudo na cruz! O desânimo e a tristeza podem vir, mas o que faz a diferença é como escolhemos lidar com eles. Quando cremos que o Senhor já nos deu a vitória e vivemos dessa maneira, tudo muda à nossa volta.

A mulher foi criada de maneira maravilhosa e com um propósito certo. Não fomos feitas de qualquer jeito por um Deus que não se importa conosco. Fomos formadas pelo nosso Pai de amor.

Quando nos colocamos no centro da vontade de Deus, nada em nós é inferior, nossa posição não é menor. O Senhor nunca nos colocaria em um lugar onde não fôssemos valorizadas por aquilo que somos. Ele nos fez assim, femininas, para que possamos cumprir o nosso propósito nesta terra.

Uma mulher verdadeiramente livre e cheia de poder é aquela que descobre quem realmente é em Deus, quem foi criada para ser.

 

SuelyBezerra