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Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?

Transformando uns aos outros em amor e à imagem de Cristo

Na edição anterior da Revista Comuna, tratei com vocês a respeito da doutrina dos apóstolos e da sua importância para a vida saudável da igreja. É vital que nós cristãos observemos aquilo que eles ensinaram, por ser a principal fonte de informação a respeito de Jesus e do Seu ensino. A mensagem que os apóstolos carregaram serve como fundamento da teologia bíblica, para não corrermos o risco de nos afastarmos da verdade.

A doutrina dos apóstolos é o retrato fiel da verdadeira igreja de Cristo. Veja que, por causa do seu testemunho de vida, que envolvia a comunhão com os irmãos em verdadeira fraternidade e partilha, era dito nos primeiros tempos: “Vede como eles se amam”.

Justamente, este é um dos mais importantes princípios contidos nos ensinamentos de Jesus:

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo. 13.35).

E, para que não reste dúvida alguma, o Mestre ainda afirmou:

“Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai que está no céu, pois ele faz nascer o sol sobre os maus como sobre os bons e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt. 5.43-48).

Box seamaisABR18Um relato escrito há mais de mil anos para um pagão, registrado no livro “Epístola a Diogneto”, desenha o que fazia dos cristãos um povo tão capaz de mudar o mundo mediante a mudança do coração: “Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem por sua terra, nem por sua língua, nem por seus costumes. (...) Sua doutrina não foi inventada por eles, nem se deve ao talento e à especulação de homens curiosos; eles não professam, como outros, nenhum ensinamento humano. Pelo contrário: mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes de cada lugar quanto à roupa, ao alimento e a todo o resto, eles testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como se fossem forasteiros; participam de tudo como cristãos, e suportam tudo como estrangeiros. (...) Vivem na carne, mas não vivem segundo a carne; (...) amam a todos e são perseguidos por todos; (...) são pobres, mas enriquecem a muitos; (...) são injuriados e, no entanto, bendizem; (...) fazem o bem e são punidos como malfeitores; são condenados, mas se alegram como se recebessem a vida. Os judeus os combatem como estrangeiros; os gregos os perseguem; e quem os odeia não sabe dizer o motivo desse ódio. (...) embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia, porque eles se opõem aos seus prazeres desordenados. (...) os cristãos estão no mundo, como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo”.

Segundo o registrado em João 13.34, Jesus ressaltou que o amor não era uma escolha, mas um mandamento:

“Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

E não é amor de qualquer jeito, mas sacrificial, de renúncia, de compaixão, de entrega total e incondicional. Amor que transforma o mundo. Amor irresistível! Esta é a única forma de ser cristão.

No livro de Atos, o verso 33 do capítulo 4 diz:

“Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”.

Sabe o que eles falavam? Que Cristo estava vivo, e tinha ressuscitado para nos dar uma vida completamente nova, uma vida que transborda amor, compaixão e misericórdia, as mesmas coisas que Cristo ensinou Seus discípulos a praticar, e que chegou a nós como legado imutável e marca fiel da natureza de Deus: o amor.

Os apóstolos falavam pouco, mas ensinavam com suas vidas. Como o Mestre lhes ensinou, assim faziam. E se queremos, de fato, transformar o mundo e viver uma vida de plenitude em Deus, precisamos viver dessa mesma forma.

Na igreja primitiva, o Senhor ia reunindo mais e mais pessoas, e ela ia crescendo porque eles se amavam. E esse testemunho fazia com que mais e mais pessoas quisessem aderir ao cristianismo. O amor foi a principal virtude para que a igreja, no início tímida e pequena, fosse angariando mais e mais seguidores.

Amar é dedicação. É como cuidar de um jardin. Às vezes é preciso arrancar o que faz mal, preparar novamente o terreno, semear, regar, cuidar e ser paciente. Podem haver pragas, falta ou excesso de chuvas, mas nada nos fará desistir. Ame, aceite, valorize, respeite, dê afeto, admire e compreenda. Ame, simplesmente ame! A vida sem amor perde propósito, e o próprio Jesus nos ensinou o verdadeiro valor: “Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

 

CarlosAlbertoBezerra02