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A verdadeira igreja

O que Jesus ensinou e nós esquecemos

O astronauta americano Jack Swiegert e outros dois tripulantes encontravam-se em viagem à lua na Apollo 13 quando ouviram um barulho estranho na nave. Um dos tanques de oxigênio havia explodido. Foi ali que Swiegert comunicou à base sobre o incidente: “Houston, temos um problema”. A frase ficou tão conhecida que é utilizada, até hoje, para identificar algo que não está funcionando bem e pode acabar em catástrofe.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Barna revelou o que as pessoas pensam da igreja. As opiniões variam bastante, mas sempre ressaltam falhas que as igrejas cristãs cometeram ao longo da história. “Lugar de discriminação”; “local que alberga hipócritas que apontam o pecado da humanidade, mas não reconhecem o próprio erro”; “gueto”; “falam muito de amor ali, mas não o praticam”, são as respostas mais comuns. Adivinha? Sim. Houston, temos um problema.

 

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Verdade seja dita, quem conhece a Bíblia sabe que quando o assunto é igreja, é inevitável citar aquela que está retratada em Atos 2.42-47. Mas, ao longo da história, aquele grupo que “perseverava na doutrina dos apóstolos e na comunhão”, foi deixando de lado os ensinamentos de Jesus e começou a se preocupar mais com religião, hierarquia, poder... Assim, a igreja virou uma coisa grande, pesada e engessada. Deixou de cuidar do necessitado, de ter relacionamentos relevantes. Passou a se preocupar mais com o dinheiro do que com as pessoas. Passou a afastar as pessoas.

É sempre bom deixar claro que igreja não é prédio, são pessoas! São todos aqueles que tem o Espírito Santo habitando dentro de si. Sabendo isso, há uma pergunta a responder: como podemos ser a igreja verdadeira que Jesus deseja? Como podemos ser uma igreja segundo o coração de Deus?

A resposta está na definição de quatro pilares: propósito, identidade, missão e destino.

Box averdadeiraigrejaJAN181) Qual o propósito da igreja?

Em Efésios 1.4-6 está escrito:

“Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.”

Assim, podemos afirmar que nós, como igreja de Cristo, fomos chamados primeiramente para a adoração, para aproveitar da presença de Deus.

Em Apocalipse, a igreja é adoração – os seres viventes, os anjos, todos eles têm como propósito de vida adorarem a Deus. E é importante deixar claro que adoração não é cantar, mas envolve obediência. Samuel disse a Saul:

“obedecer é melhor que sacrificar” (1 Sm. 15.22).

É através da obediência, da adoração, que nos enchemos do Espírito Santo.

Alguém apaixonado faz muitas coisas “por amor”. Quando estamos apaixonados por Jesus, fazemos o que for preciso! Obedecemos por amor! Mas muitas vezes perdemos isso... por isso, primeiro precisamos ter uma vida constante de adoração, de se render a Deus.

2) Qual é a identidade da igreja?

Na Bíblia, a igreja é apresentada como o Corpo de Cristo (1 Co. 12.27) e também como a Noiva do Cordeiro. Ou seja, uma igreja que não tem Jesus como líder, guia, perde o controle e morre.

Pense em um corpo sem cabeça. É totalmente absurdo, não sobrevive. Imagina uma noiva sem o noivo – como é que ela vai ser considerada noiva sem ele?

Agora, se a igreja, como noiva de Cristo, tem um comportamento que não condiz com o Noivo, será que realmente tem noção do que Deus tem preparado para ela? A situação é tão séria que no encontro de Jesus com Saulo – conhecido por perseguir cristãos – registrado em Atos 9, o Mestre lhe pergunta: “por que você me persegue?”. Veja que Ele não diz “por que você persegue a minha igreja?”, porque para Jesus a igreja é um com Ele.

Essa é a identidade da igreja:

“Se vivemos, para o Senhor vivemos; e, se morremos, é para o Senhor que morremos” (Rm. 14.8).

A igreja de Cristo é edificada pelo Corpo, por cada membro, pelas pessoas. Quando há amor, quando há relacionamentos de acordo com a Palavra, quando há obediência, a igreja está sendo edificada e o caminho está sendo preparado para a volta de Cristo.

3) Qual é a missão da igreja?

Para entendermos a missão da igreja, precisamos ter em mente qual foi a missão de Cristo ao vir à Terra, pois Ele transfere para a Sua igreja a obra que recebeu do Seu Pai. Ele diz:

“Assim como o Pai me enviou, eu vos envio” (Jo. 20.21).

Em Lucas 19.10, o próprio Cristo define a Sua missão:

“Pois o filho do homem veio buscar e salvar o perdido”.

Assim, a igreja existe para realizar a obra que Cristo realizou: “buscar e salvar o perdido”.

Mas como Cristo fez isso? Qual era Seu método? O método de Jesus era chamar e preparar discípulos. Essa é a principal ênfase de Mateus 28.19-20. A ideia é que indo pela vida das pessoas, ensinando, batizando, exercendo uma influência transformadora, construindo vínculos relacionais, o cristão – a igreja – vai cumprindo a ordem de “fazer discípulos”. Portanto, se uma igreja batiza as pessoas sem fazer discípulos, ela é desobediente a Cristo. Se ensina às pessoas os mandamentos, mas não faz discípulos e não batiza, ela é desobediente a Cristo. Muitas igrejas têm falhado em cumprir a missão, não porque deixaram de proclamar e batizar, mas porque ignoraram a necessidade de fazer discípulos.

E o que significa “fazer discípulos”? É relacionamento. É amar o próximo, restaurar sua identidade, sua dignidade. É levar as pessoas a serem mais parecidas com Cristo. É servir, dar voz aos que não têm voz, atender as necessidades do estrangeiro, do órfão da viúva. O Evangelho transcendeu as paredes da igreja, para chegar à intimidade das pessoas; o pastoreio se tornou mais próximo, eficaz; e o sacrifício mais real.

Este modo de vida caracteriza a maneira como nos relacionamos com Deus, com os outros e com o mundo. Jesus sabia disso, por isso nos evangelhos Ele sai da periferia em direção às cidades. Sua migração tem como objetivo a comunidade em transformação por meio de relacionamentos autênticos de discipulado. Ele derruba as barreiras da tradição exclusivista mantendo um comportamento contracultural de valorização das pessoas. Ele alcança as massas e as conduz ao Reino sob a estratégia simples de compartilhar as experiências do dia a dia. Isso fez a diferença no tempo de Jesus e faz para nós hoje.

A igreja verdadeira faz discípulos porque o seu coração bate pelas mesmas coisas que fazem bater o coração de Deus. Jesus ensinou esse caminho, e a igreja não pode se esquecer disso. Ela precisa resgatar isso para cumprir sua missão e ser autêntica.

4) Qual o destino da igreja?

No livro de Isaías, Deus não compartilha Sua glória com ninguém. Mas, no Apocalipse, na grande celebração, a igreja resplandecerá a glória de Deus (Ap. 21.9-11)! Isso não é uma contradição, mas uma confirmação de que a igreja é tão importante, que Jesus compartilha tudo o que é com ela: a glória, o poder, a autoridade.

A igreja verdadeira é uma igreja avivada. Ela anda com autoridade nos lugares esquecidos, ama as pessoas que estão desgastadas e cansadas, ampara os necessitados, prega o Evangelho das Boas Novas – da necessidade do arrependimento e de ser cheio do Espírito Santo.

A igreja verdadeira é a que Paulo registra na carta aos Filipenses: “Se vocês receberam algo bom por seguir a Cristo; se o amor dele fez alguma diferença na vida de vocês; se estar numa comunidade do Espírito significa algo para vocês; se vocês têm um coração; se vocês se importam uns com os outros – façam-me um favor: concordem um com o outro, amem um ao outro, sejam amigos de verdade” (2.1-2 – A Mensagem).

A igreja verdadeira não é um lugar de hipocrisia, discriminação, preconceito, mas um espaço onde as pessoas são respeitadas, amadas, valorizadas, restauradas. Onde há consolo, exortação, unidade, perdão, misericórdia, afeto pelo próximo. Isso não é fruto de esforço, mas da nova natureza em Cristo:

“porque neste mundo somos como Ele” (1 Jo. 4.17).

 

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