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Como crescemos e nos desenvolvemos na Eclésia?

Um convite a abandonar os reflexos automáticos

Sem dúvidas, Jesus era um grande mestre. A grande variedade de parábolas demonstra isso. Quase todas as coisas ao Seu redor eram feitas um veículo para que Seus ouvintes adquirissem conhecimento divino e alcançassem o crescimento espiritual. A agricultura em especial lhe proporcionou muitas ilustrações de Suas doutrinas. Ele usou esse assunto porque era muito familiar ao povo.

A parábola da semente, de Marcos 4.26-29, é um bom exemplo disso. Ali, Jesus fala sobre o Reino de Deus e ensina que existe nele um princípio de crescimento, um processo pelo qual os cristãos precisam passar. É o mesmo que acontece quando um bebê nasce. Ele é uma bela expressão de perfeição, mas ainda não sabe andar, não sabe falar, precisa se desenvolver.

Algumas coisas precisam ser feitas para crescermos no Reino de Deus. Por exemplo, precisamos deixar de ser filhinhos e nos tornarmos cristãos maduros, que dão frutos. Mas para isso acontecer, precisamos deixar tudo o que está velho para atrás:

“Logo, todo aquele que está em Cristo se tornou nova criação. A velha vida acabou, e uma nova vida teve início” (2Co. 5.17).

O novo Reino tem a ver com o novo homem. Deus nos trouxe das trevas para a luz, mas, para isso, nos deu uma nova natureza.Box comocrescemosJAN18

Outra verdade de que precisamos nos lembrar está em Romanos 6.6-7:

“Sabemos que a nossa velha natureza humana foi crucificada com Cristo, para que o pecado não tivesse mais poder sobre nossa vida e dele deixássemos de ser escravos. Pois, quando morremos com Cristo, fomos libertos do poder do pecado”.

Lá na cruz morreu, junto com Cristo, o nosso velho homem. Fomos crucificados com Ele (Gl. 2.20).

O cristianismo não é uma questão de mentalidade, é uma questão de experiência com Cristo, de morrermos e ressuscitarmos com Ele. Para entender isso, precisamos compreender um conceito que se chama “Reflexos Automáticos”.

O que são os reflexos automáticos?

Já percebeu que quem aprende a andar de bicicleta pode ficar anos sem praticar, mas nunca esquece como fazê-lo? Isso acontece porque nosso corpo aprende um comportamento, é um reflexo automático. Ou seja, depois que fazemos uma coisa por muito tempo, tendemos a fazê-la automaticamente. Mas o que isso tem a ver com a nossa nova vida? Vivemos bastante tempo no reino das trevas e, quando recebemos a Jesus, continuamos sendo tentados em algumas coisas, é automático.

Muitas pessoas vivem anos na igreja e não mudam o seu comportamento. Continuam com as mesmas manias, os mesmos hábitos, as mesmas palavras. Continuam caindo no pecado constantemente durante anos.

A Bíblia diz que mudamos de Reino, que não pertencemos mais às trevas. Por isso, não somos mais escravos do pecado, não precisamos mais desses reflexos automáticos, podemos – e devemos – abandoná-los! Temos o poder de viver uma nova vida.

Em Colossenses 3.5-10, Paulo dá a lista dos reflexos automáticos que podemos ter: imoralidade, impureza, ganância... E ainda avisa que isso podia nos dominar antes, mas não nos domina mais! É algo que experimentamos e se renova continuamente. A chave do crescimento está nesta renovação constante.

Qual é a diferença entre o velho homem e o novo homem?

Antes da queda, Adão, o primeiro homem, tinha intimidade profunda com Deus e desfrutava da comunhão com Ele. Mas o pecado acabou com tudo isso. Assim, o homem não conseguia mais receber amor, mas ainda desejava ser amado.

O amor de Deus é de mão única, incondicional. Ele nos ama independentemente do que façamos, mesmo que não O amemos. Isso era o que Adão experimentava. Mas, depois que ele cai perde a noção do verdadeiro amor. Começa a pensar num amor condicional, de duas vias, que sempre espera algo em troca. Então vem Jesus, o segundo homem. Ele nos liberta do pecado e do velho homem, nos dá o Seu Espírito Santo, nos faz participantes da Sua natureza (1Pe. 1.4) e nos enche com o Seu amor. E aí podemos viver a nova vida que Ele tem para nós (Rm. 5.5).

O velho homem exige ser amado, quer tudo do seu jeito, depende do amor e da aceitação dos outros, desanima facilmente, se ofende facilmente e tem muitos medos. Já o novo homem não exige amor, mas ama, oferece e se entrega. Depende do amor de Deus e sabe que é aceito por Ele. Persevera, perdoa facilmente e não tem medo, porque “o perfeito amor lança fora todo o medo” (1Jo. 4.18).

Isso não tem a ver com o esforço. Assim como uma laranjeira não precisa se esforçar para produzir laranjas, o ramo da videira não precisa se esforçar para produzir frutos. É natural.

Não começamos fazendo, começamos sendo, descobrindo quem somos em Cristo. Somos filhos de Deus, perdoados, não somos mais escravos e nem controlados pelo passado. Assim, encontraremos a verdadeira liberdade que há em Jesus e viveremos uma vida realmente nova, experimentando toda plenitude de Deus (Ef. 3.19).

 

CesarRosaneli