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Diásporas

Como não se compadecer daquele que está sendo perseguido?

Migrar é um direito reconhecido na Declaração dos Direitos Humanos, assinada em 1951, após a Segunda Guerra Mundial. Mas as migrações não começaram ali. Isso é algo que acontece desde que o mundo é mundo. A Bíblia é cheia de relatos de migrações. O povo de Deus é peregrino.

As causas da migração são diversas: procurar um emprego melhor, casar, estudar, desastres naturais, política, guerras, fanatismo religioso. Mas existe uma diferença muito grande entre um migrante e um refugiado. O primeiro, sai da sua terra de livre e espontânea vontade. Já o segundo, não tem poder de decisão, ele é obrigado a sair para salvar sua própria vida, preservar sua família. Assim, “refugiado” é uma categoria jurídica muito bem definida, protegida pela lei internacional.

O grande deslocamento humano que vivemos na atualidade tem sido descrito pelos especialistas com uma palavra grega que os cristãos conhecem muito bem: diáspora. A igreja tem falado sobre a diáspora do povo de Israel desde sempre. Diferente daquela situação, onde o povo israelita deixou sua terra quando foi levado cativo à Babilônia, hoje não há a movimentação de apenas um grupo de pessoas. De leste a oeste e de norte a sul, há diferentes povos saindo do seu lugar de origem, diferentes diásporas.Box diasporasJAN18

Na Europa, são preparados centros de contenção para receber os imigrantes. Essas são zonas neutras, controladas por militares. Diversas violações dos Direitos Humanos acontecem nesses lugares. A ACNUR, agencia da ONU para refugiados, pediu ao Brasil para receber oito jovens cristãos que se encontravam num destes centros de contenção, rodeados de muçulmanos que queriam assassiná-los pelo fato de serem cristãos. Já parou para pensar que milhões dessas pessoas que estão nessa situação são nossos irmãos na fé? A igreja tem um chamado: amar o próximo (Mt. 22.39) e, especialmente, “aos da família da fé” (Gl. 6.10).

Recentemente, uma foto percorreu o mundo. Nela é possível ver um casal de turistas sentados na areia e observando o mar numa praia da Itália. Do lado deles, os corpos de dois refugiados mortos que tinham sido arrastados pelo mar, após um barco que transportava um grande grupo deles ter virado. Essa é uma terrível metáfora de como a sociedade enxerga a crise humanitária dos refugiados, com uma absurda indiferença.

A Bíblia mostra por diversas vezes como Deus se importa com o estrangeiro. O texto de Deuteronômio 10.16-19 é o mais claro:

“Sejam fiéis à sua aliança em seus corações, e deixem de ser obstinados. Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita suborno. Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e roupa. Amem os estrangeiros, pois vocês mesmos foram estrangeiros no Egito.”

Há ali um imperativo de Deus para nós, Seu povo. A mesma coisa é reforçada, no Novo Testamento, em Gálatas 6.9-10 e 1 João 3.16-18. Como não se compadecer daquele que passa necessidade e está sendo perseguido?

“Filoxenia” é uma palavra grega que quer dizer amar o estrangeiro. Na Bíblia, essa palavra é utilizada para falar de hospitalidade, acolhimento. É a isso que o apóstolo se refere em 1 Pedro 4.9, e é o convite de Paulo em Romanos 12.13:

“Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade.”

Ou seja, amem o estrangeiro!

Precisamos prestar atenção ao que Deus está fazendo. Muitos povos que durante séculos estiveram isolados, hoje têm vindo até nós, até a igreja de Jesus. Temos a oportunidade única de realizar uma evangelização transcultural no nosso quintal, na nossa terra. Nós somos o instrumento de Deus para que eles recebam pastoreio e discipulado, fomos chamados para isso!

Precisamos integrar estes irmãos, acolhê-los, mostrando a eles humildade, coragem, compaixão, misericórdia. Precisamos oferecer uma abordagem integral, que lhes devolva a dignidade que lhes foi arrancada. Eles são uma bênção a ser abraçada, não um peso.

Que nossos corações sejam quebrantados por aquilo que quebranta o coração de Deus, como Bob Pierce, fundador da ONG Visão Mundial, afirmou. Que haja um movimento de acolhimento na igreja brasileira, um batismo de amor que nos leve a expressar os valores do Reino e da Sua graça.

 

JosePrado