antesedepois02DEZ17

Antes e depois de Cristo

O que mudou no discipulado com a vinda de Jesus

Um dos maiores desafios da humanidade sempre foi o de como preparar, educar e formar os indivíduos para levá-los a ter um comportamento social agregador, a fim de criar uma comunidade com elevados padrões morais e éticos, que propiciassem uma consciência harmoniosa, pacífica e próspera entre seus membros.

Desta forma, a educação acabou se tornando uma ciência, alicerçada principalmente na pedagogia que, atualmente, oferece vários métodos diferentes de como processá-la, nem sempre de acordo com a realidade do homem e dos ensinos das Escrituras.

Porém, histórica e biblicamente, podemos considerar o discipulado como o método mais eficaz de educar e formar vidas, baseado em um relacionamento pessoal entre o discipulador (mestre, líder ou pai) e seu discípulo (Dt. 6.4-9).Box antesedepoisDEZ17

No passado, no judaísmo, a transmissão de princípios, valores e práticas, feita através do discipulado, era baseada em um relacionamento, quase sempre, distante, patriarcal, autoritário, com um espaço muito bem demarcado entre mestre e aprendiz.

Agora, quando Jesus vem a este mundo para cumprir a Sua missão, este modelo de discipulado muda radicalmente. Através do Seu exemplo, passamos a entender o discipulado, não apenas como um modo de se transmitir conceitos, mas como um meio de transmissão de vida, de um novo estilo de vida baseado no amor e serviço ao próximo.

E isso não apenas com palavras – na teoria –, mas na prática, tornando-se Ele, Jesus, o discipulador. Não apenas alguém que deveria ser ouvido, mas imitado:

“Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros” (Jo. 13.14).

Por isso mesmo, quando escolhe Seus discípulos, Ele define qual seria a prioridade deles:

“E nomeou doze para que estivessem com Ele…” (Mc. 3.14).

Jesus, por cerca de três anos e meio convive com esses homens diariamente e vai formando neles os princípios do Reino de Deus, mudando seus paradigmas, tratando com seus egos, dúvidas e temores.

Ensina, através das Suas atitudes, como os discípulos poderiam ser bem-sucedidos na área mais difícil para o ser humano, os relacionamentos. Ele exemplifica como orar e se relacionar com o Pai, com os familiares (mesmo quando rejeitados), uns com os outros, com as pessoas excluídas (crianças, mulheres, samaritanos, leprosos, etc), com os que são incrédulos e inimigos e também com as autoridades e falsos líderes (fariseus).

Na vida emocional, que é onde nós também temos muitos problemas, Jesus mostrou aos Seus discípulos como um ser humano normal e saudável deve lidar com suas emoções. Muitas vezes Ele se mostrou emocionalmente vulnerável e fragilizado diante das reações das pessoas e pelas circunstâncias, sem nunca deixar de ser transparente nos Seus sentimentos: se alegrava (Lc. 10.21), suspirava (Mc. 8.12), lamentava e chorava (Lc. 13.31 e 19.41), se admirava da fé das pessoas (Lc. 7.9) e da incredulidade delas (Mc. 6.6), sentia aflição (Jo. 13.21), se indignava (Mc. 10.14), se entristecia profundamente (Mc. 3.5), se angustiava antecipadamente com o Seu sofrimento (Lc. 12.50), e, por fim, no Getsêmani entra em profunda agonia quando esperava ajuda e consolo dos Seus amigos.

Mas, como exemplo perfeito para nós, Jesus nunca desistiu daqueles homens. Intercede por eles, ama-os até o fim, chama-os de amigos, conduze-os ao drama de Sua morte e ressurreição para, no final, dar-lhes visão, estratégia e capacitação através do Espírito Santo (At. 1.8).

Estes homens mudaram o mundo ao custo de suas próprias vidas. Que o Senhor nos dê graça para que, seguindo o Seu modelo de discipulado e rejeitando toda atitude e palavra que não combine com ele, nos dediquemos com muita paixão e oração à nossa principal missão: formar discípulos, que não só sejam bons líderes de células ou pastores, mas sejam verdadeiros “carvalhos de justiça” (Is. 61.1-4) que transformem a nossa tão carente sociedade.

 

CarlosAntunes