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Tempo de reconciliação

O fim da separação e o começo de uma nova vida

Enquanto lia a edição anterior da Revista Comuna, e refletia sobre o fato de sermos pacificadores, comecei a pensar numa particularidade daqueles que exercem esse fantástico ministério: ser instrumentos de reconciliação.

Em seu livro “O amor obstinado de Deus”, Brennan Manning afirma que “se quiséssemos uma palavra para descrever a missão e o ministério de Jesus Cristo, reconciliação não seria uma má escolha”. Vivemos um tempo em que impera o desrespeito, a discórdia, a separação, o fim dos relacionamentos. Mas temos o poder, dado pelo próprio Jesus (Mt. 28.18), de fazer deste um tempo diferente.

Reconciliar é restaurar a amizade ou harmonia. Quando velhos amigos resolvem suas diferenças e restauram seu relacionamento, reconciliação ocorreu. 2 Coríntios 5.18-19 declara:

“Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava emBox tempodereconciliacaoDEZ17 Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.”

Nosso pecado nos separou de Deus. O texto de Romanos 5.10 diz que éramos inimigos de Deus. Mas, quando Cristo morreu na cruz, Ele tornou possível que os inimigos fizessem as pazes. Nossa “reconciliação” com Deus, então, envolve o exercício de Sua graça e o perdão de nosso pecado. O resultado do sacrifício de Jesus é que o nosso relacionamento mudou de inimizade para amizade.

“Já não vos chamo servos.... mas tenho-vos chamado amigos” (Jo. 15.15).

Reconciliação cristã é uma verdade gloriosa! Éramos inimigos de Deus, mas agora somos Seus amigos. Estávamos em um estado de condenação por causa de nossos pecados, mas agora somos perdoados. Estávamos em uma situação de guerra com Deus, mas agora temos paz que ultrapassa todo o entendimento (Fp. 4.7). “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5.1).

Esta é a mensagem! Hoje vos nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor! Os céus estão se reconciliando com a terra, o visível com o invisível, o ordinário com o extraordinário, o natural com o sobrenatural, o sagrado com o secular, Deus com os homens, os homens com eles mesmos e uns com os outros.

Esta é a mensagem do Evangelho! Esta é a boa notícia que traz e promove grande alegria! Em meio à mais extrema simplicidade e singeleza; num dia que parecia como outro qualquer; num lugar comum e sem qualquer valor aos olhos humanos; a eternidade se encontrava com o tempo; o Deus eterno se vestia de gente; a Palavra se fazia carne. Esta é a história que precisa ser contada e recontada!

Ele veio para dar a Sua vida. Nasceu para se entregar em nosso lugar. Veio para nos revelar a graça e o amor do Pai. Veio para nos reconciliar com Deus, conosco mesmo e com o nosso semelhante. Ninguém jamais nos amou assim!

Somos construtores de pontes, não cavadores de abismos. Somos ministros da reconciliação, não promotores de contendas. Somos pacificadores, não geradores de intrigas. O ministério da igreja é de aproximação das pessoas e não de afastamento delas. Somos um só corpo e membros uns dos outros. Quando um membro do corpo sofre, todos sofrem com ele; quando um membro é promovido, todos se regozijam com ele.

O caminho do arrependimento e do perdão é a única forma de construir pontes em vez de cavar abismos ou levantar muros. Um cristão demonstra sua maturidade espiritual quando reconhece seu erro e tem disposição de pedir perdão. Não há comunidade saudável sem o exercício do perdão. Somos a comunidade dos perdoados e dos perdoadores.

Os filhos do Reino são pacificadores e os pacificadores são chamados filhos de Deus. A Bíblia diz que o amor cobre multidão de pecados. Quem ama busca a reconciliação.

Que neste tempo você e eu possamos lembrar a essência de tudo. Reconciliação. O Reino de Deus nos corações. O amor de Deus nos amando primeiro e além de todo o entendimento. Paz na terra entre os homens. Paz com Deus. Paz consigo mesmo. Riqueza inesgotável em meio ao mais profundo despojamento. Graça. O Deus que quer bem aos homens. O Deus que estava em Cristo reconciliando consigo mesmo os homens.

É Natal. É chegado um novo tempo. É tempo de reconciliação.

 

CarlosAlbertoBezerra02