exegesesimNOV17

Exegese, sim. Exejegue, não

Resgatando os valores do Reino

Quando era criança, um dos maiores elogios que um pai podia receber dos seus filhos – ou ele mesmo oferecer - era: “que obedientes eles são”. A palavra obediência não possui boa reputação nos nossos dias. As pessoas não obedecem às leis, não obedecem às autoridades, muito menos aos pais. Mas será que para um pai é melhor ouvir que seu filho é bonito, inteligente ou obediente?

Antigamente, os reis eram anunciados com pompa, festa, brilho, ostentação. Qualquer coisa longe daquilo, nem mereceria ser considerado monarca. Mas, Jesus foi um Rei diferente. Foi anunciado no deserto, por um cara bastante excêntrico, que se vestia com pele de camelo e comia gafanhotos. Batizou-se nas águas sujas do Jordão (Mt. 3.13), onde Naamã recusava-se a mergulhar sete vezes (2Rs. 5).

Jesus era um Rei diferente, obediente. Por obediência investiu Sua vida em doze judeus casca grossa. Levou-lhe três anos para mudar o paradigma desseBox exegeseNOV17s discípulos, tirar o judaísmo de dentro deles, tirar mais de mil anos de tradição judaica da lei de Moisés. Aqueles homens mudaram da água para o vinho.

Durante os três anos do Seu ministério, Jesus foi introduzindo o novo odre, que contém o vinho novo. Você sabe como funcionava o odre? Naquela época, os homens espremiam a uva, a peneiravam e a colocavam numa espécie de saco feito com pele de cabra, que era fechado com uma rolha e cera de abelha, para que não entrasse ar. Aquilo era pendurado num lugar escuro e fresco. Após o processo de fermentação, o vinho estaria pronto.

A fermentação é um processo químico que produz liberação de gases. Então, se o odre não for flexível, novo, e tiver a capacidade de se expandir, ele explode e, como Jesus disse:

“perde-se o vinho e o odre” (Mc. 2.22).

Todo homem em Jerusalém sabia como fazer vinho e entendeu o que Cristo estava tentando explicar.

O odre velho da lei de Moisés não tinha capacidade para conter o vinho novo da salvação pela graça mediante a fé, do perdão dos pecados, da misericórdia. Não dá para colocar vinho novo debaixo de uma estrutura legalista. Tinha que ter um odre novo. Qual? A igreja nas casas, a teologia da mesa (At. 2.42).

Aqueles doze foram enviados - assim como nós – para fazerem discípulos (Mt. 28.19-20). Como? Indo, batizando-os e ensinando-os a obedecer. Um Rei obediente pode exigir que os Seus também sejam obedientes.

Deus queria ter comunhão com o homem. Ele utilizou diversos profetas e formas, mas nada chegou a tocar profundamente o coração do homem. Apenas Cristo reestabeleceu a comunicação. E para isso, precisou de um corpo humano.

Jesus recebeu três tarefas para cumprir: trazer o Reino de Deus até nós, morrer na cruz pelos nossos pecados e levar as boas notícias do Reino aos quatro cantos da terra. Mas, para cumprir a última, Ele precisava de um outro corpo, Sua igreja. Ele disse que voltaria e habitaria nesse corpo. E assim o fez. É esse o segredo do qual Paulo fala que foi revelado a nós:

“Cristo em vós, esperança da glória” (Cl. 1.27).

Nossa esperança não está numa técnica específica ou num método. Não estamos vendendo um produto chamado Evangelho. É o Espírito Santo que convence as pessoas do pecado, não nosso papo. Muitos querem um segredo para que sua célula funcione. É fácil: Cristo no centro e a nossa obediência no coração. Sem isso, não tem nada.

O odre novo é a igreja em movimento. Os discípulos foram para a rua, se reuniram nas casas. A igreja precisa resgatar os valores do Reino e dos relacionamentos. O Sermão do Monte é a versão curta da constituição do Reino de Deus. É um Reino diferente, de justiça, de amor, de paz, de misericórdia, de graça. Precisamos deixar de fazer exejegue, querendo colocar o velho no novo. Vinho novo precisa de um odre novo.

Precisamos mudar o paradigma, aprender com Jesus. As igrejas são saleiros. Nós somos o tempero de um mundo sem sabor. As pessoas precisam ver Jesus em nós. Como? Serviço, bacia e toalha. Essas eram as ferramentas do nosso Rei, e são as mesmas que precisamos usar para fazer discípulos.

 

RobertLay