500anosOUT17

500 anos da Reforma

5 séculos e uma profunda Reforma

No final da Idade Média havia muita convulsão política, social e religiosa. Revoltas dos camponeses, guerras, epidemias, o declínio do feudalismo e da liderança dos papas e da igreja. A população se ressentia dos abusos da igreja, da sua falta de propósitos e da corrupção. O ensino religioso da época tratava pecados como débitos, as boas obras como créditos e a venda de indulgências para perdão das penas do pecado.

Nos séculos 14 e 15 o mundo ocidental experimentou um sentimento crescente de nacionalismo. Os povos não queriam sujeitar-se a Roma. Aspiravam ver surgir uma igreja nacional. Assim, alguns movimentos esporádicos de protestos surgiram contra os ensinos e práticas da Igreja medieval e alguns líderes foram chamados de pré-reformadores: John Wycliff (1325-1384), John Huss (1372-1415) – queimado vivo por causa da sua fé – e Girolano Savonarola (1452-1498) – enforcado e queimado vivo porBox 500anosOUT17 ordem do papa Alexandre VI –, por combaterem irregularidades e imoralidades do clero, condenar superstições, peregrinações, veneração de santos, celibato e as pretensões papais. Mas nenhum deles tinha conseguido superar o legalismo religioso – não descobriram a graça salvadora (Ef. 2.8-9) – e
começar um movimento que mudasse a situação.

Inspirado por esses homens, Martinho Lutero foi o homem certo, no tempo e lugar certos. Ele elaborou uma carta em latim com 95 teses e a afixou na porta da catedral de Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517, aos olhos de todo mundo. Nela, o ousado jovem apresentou diversas afirmações, como a de que a salvação eterna é conseguida através da fé em Deus (Rm. 1.17), posicionando-se assim contra a venda do perdão – as mencionadas indulgências, que foram utilizadas, entre outras coisas, para a construção da Basílica de São Pedro, no Vaticano – praticada pelo clero católico, ou a autoridade das Sagradas Escrituras (2 Tm. 3.15-17) sobre a tradição da igreja e sobre a palavra do papa, que era tida como a palavra de Deus. Esse posicionamento afrontava o poder religioso e abria caminho para que todos os fiéis pudessem ler e interpretar a Bíblia e para a alfabetização, pois a parcela de população que tinha acesso à educação era extremamente pequena. Protegido por vários príncipes alemães, escondeu-se no castelo de Wartburg, onde traduziu a Bíblia para o alemão, quebrando assim a hegemonia do latim – utilizado pelos padres.

A Reforma e a sociedade

O que ocorreu na Reforma não foram questões ligadas a liturgias ou desavenças entre líderes, mas divergências quanto à interpretação da Palavra de Deus. Lutero foi um líder que disse “basta” a um procedimento ilegal diante das Escrituras e que, ao ler na Bíblia que “o justo viverá pela fé”, entendeu que o perdão dos pecados não depende de negociações, mas da fé no Senhor Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e o ser humano. Nascia assim a igreja pós Idade Media, fundamentada nas cinco solas, que são os pilares teológicos das igrejas reformadas.

Por outro lado, seu alcance não foi apenas religioso, mas iniciou profundas e duradouras mudanças sociais e políticas na Europa, afetando, posteriormente, o pensamento de todo o mundo ocidental. Ela não surgiu simplesmente da mente de um homem ou de um grupo de religiosos, de uma hora para outra. Mas foi o resultado de décadas de insatisfação e questionamento das doutrinas e práticas da igreja católica, além do desfecho de um longo processo de crítica filosófico-teológica que se gestava entre intelectuais no interior das universidades e da própria igreja.

Agora, depois de cinco séculos, continuamos a comemorar a ousadia de servos de Deus, que deixaram sua zona de conforto para denunciar o que acontecia e gerar mudanças significativas em diversos âmbitos, as quais têm gerado frutos muito ricos e continuarão marcando o caminho iniciado pelo próprio Jesus na cruz do calvário.

 

Você conhece o que dizem as 95 teses que deram inicio à Reforma Protestante?

O que são as cinco "solas"?