umareformaOUT17

Uma reforma que vem de dentro

Transformados para transformar

Erasmo de Roterdã foi um homem de inteligência privilegiada. Dentre outras coisas, ele foi filósofo, escritor e linguista.

Erasmo viveu uma tensão durante boa parte de sua vida. Era um homem devoto à igreja, a Católica, mas via nela uma série de defeitos. Ele queria fazer uma reforma interna usando críticas diretas e outras mais sutis. Chegou a usar de um recurso cheio de sarcasmos numa de suas obras mais conhecidas, “O Elogio da Loucura”. Nesse livro, ele escreve como se estivesse encarnando a própria loucura, que elogiava as coisas erradas e insensatas que os homens da religião faziam. Erasmo era um homem que sempre chamava atenção por sua genialidade, conhecimento e pena afiada. Ele queria reformar a igreja católica por dentro.

Mas, num dia qualquer de 1517, ele foi atropelado por um moço que vivia lá na Alemanha. Lutero, o alemão que era monge agostiniano, se levantou contra a ideia dBox umareformaOUT17e que salvação pode ser comprada. Isso atrapalhou a venda de indulgências, que atrapalhou as finanças da igreja, que fez os canhões de Roma se virarem contra o jovem doutor.

Sim, Lutero era doutor da igreja, um estudioso de mente rápida e de respostas afiadas. Tinha uma memória prodigiosa, o que era muito útil em tempos de livros pesados e caros.

O desafio acadêmico lançado por Lutero – as famosas 95 teses – foi afixado na porta da igreja de Wittenburg, uma cidade pequena que bem poderia ter passado despercebida do mundo da época. Mas Lutero foi banido da igreja romana porque não mudou de ideia, e hoje somos herdeiros das convicções preciosas daquele homem que viveu 500 anos atrás. Hoje podemos falar com tranquilidade de salvação pela justificação que só existe em Jesus e pela graça que vem da parte dele para todo o pecador.

A Reforma iniciada por Lutero deve continuar em nós. É o que diz a frase em latim, “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda”, a igreja reformada que está sempre se reformando.

Erasmo e Lutero eram homens de devoção espiritual. Eram agostinianos, e as ordens religiosas eram o caminho natural para estes homens desejosos de uma espiritualidade verdadeira. E eles achavam que o conhecimento teológico precisava fazer diferença em suas vidas. Eles eram dedicados e sempre estavam a serviço do relacionamento que tinham com Deus.

Erasmo queria uma igreja pura, sem a corrupção do clero e aberta à ciência. Lutero queria uma igreja que não vendesse o que não tem – a salvação – e, acima de tudo, queria paz para sua alma. E foram homens que viveram intensamente sua espiritualidade.

Lutero teve muitas aflições no convento onde estudava buscando algum tipo de paz. Lutero contrariou seu pai, homem enérgico, para estudar teologia. Lutero era um homem assombrado por suas culpas e imperfeições, pelo medo de estar decepcionando alguém. Por isso mesmo encontrou um alívio tão poderoso quando descobriu nas palavras de Paulo que a salvação vem pela graça.

Lutero era tão obcecado com sua vida espiritual que se transformou num tormento para seu mentor. Ele queria se confessar a todo instante, relatar tudo com o máximo de detalhes e intensidade. A justificação que ele encontrou em Cristo – ou seja, que Cristo o declarava justo de uma vez por todas – foi uma libertação.

E qual é a mensagem de Reforma para hoje? Homens e mulheres que amam a Cristo, que ouvem a Sua voz, que conhecem a Sua Palavra, que a interpretam inspirados pelo Espírito Santo e que jamais deixam de lado a devoção espiritual e o compromisso com a justiça social. Pois pessoas assim estarão sempre sendo reformadas à imagem e semelhança do Cristo.

 

CarlosBezerraJr02