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Cidades de Deus

Existe uma relação direta entre nós, cristãos, e a cidade em que moramos. Deus espera que façamos algo pelo lugar onde vivemos. Não fomos colocados aí à toa, por um acaso. Nosso compromisso evangélico não deve ser apenas voltado para a comunhão que temos dentro da igreja, requer também uma ação prática voltada para fora dela.

Isto foi o que o profeta Jeremias afirmou:

“Busquem a prosperidade da cidade... orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende dela” (29.7).

Ou seja, há verdadeiramente um propósito de Deus para a transformação da cidade e uma expectativa dele quanto à relação de Seu povo com o lugar em que vive.

A primeira cidade descrita pela Bíblia, fundada por Caim, foi marcada pela rebelião contra Deus, motivada pelo desejo de viver sem depender de Deus para nada e pelo Box cidadesdedeusSET17desejo humano de dominar a criação (Gn. 4.17). O projeto, no entanto, embora tenha dado errado – aliás, como várias das cidades descritas na Bíblia –, segue sendo aplicado até hoje, mundo afora.

Porém, no princípio, a proposta de Deus para a vida em comunidade nada tinha a ver com esse clima competitivo e individualista que vemos nas metrópoles de hoje, duras e indiferentes. O que Ele criou foi um jardim. Um lugar em que era possível desfrutar das mesmas coisas juntos, um lugar onde havia igualdade e paz, onde todos os recursos são compartilhados por todos. Esse é o modelo de convivência que Deus planejou para o homem. E esse plano continua valendo para os nossos dias.

Há um caminho de conversão para as cidades. Há uma via de transformação. E Deus conta comigo e com você para isso. O caminho para a transformação do lugar em que vivemos, com certeza, passa por três atitudes: a oração, o nosso estilo de vida e o nosso envolvimento com os problemas locais.

Sim, é preciso interceder pelos problemas de nossa cidade. Como cristãos, temos um compromisso com o nosso próximo, temos o chamado para nos colocarmos na brecha pelas crianças que sofrem com a violência sexual, pelas mulheres agredidas dentro de casa, pelos dependentes químicos, pelas cracolândias, pelos refugiados, pelos professores que sofrem agressões na sala de aula e os alunos que são vítimas de balas perdidas dentro das escolas. É necessário também que o nosso testemunho público esteja em dia com os princípios e valores do Reino de Deus, para que os demais cidadãos, vendo nossas boas obras, glorifiquem ao nosso Pai (Mt. 5.16). E, além disso, não podemos ser omissos diante dos problemas da cidade.

A Comunidade da Graça é uma igreja cuja história aponta para um modelo de Evangelho Integral, que liberta espiritualmente, sim, mas também enfrenta as opressões sociais a que tantos são submetidos. Não somos uma igreja fechada em quatro paredes: se no início de nossa história deixamos o templo para ocupar os teatros da capital – palco da cena cultural de então –, hoje, acreditamos que uma edificação espiritual completa deve contemplar também as necessidades daqueles que foram excluídos pela lógica impiedosa da cidade –, haja vista o trabalho feito pela Fundação Comunidade da Graça e nas casas, através das células.

A Nova Jerusalém, a cidade proposta por Deus, tem a marca da presença de Deus. Tem a marca da comunhão entre os irmãos. Representa o fim do orgulho, do egoísmo, da indiferença e da violência. É o lugar onde o leão e a ovelha vivem juntos. A Nova Jerusalém, nesse sentido, representa o ideal que devemos perseguir hoje.

É por isso que é necessário que eu e você tenhamos compromisso com os que sofrem, que sejamos limites da maldade e que sinalizemos o Reino de Deus. A tarefa dos cristãos e o efeito da redenção de Cristo nesse âmbito é salvar as cidades de seu mal e transformá-las em autênticos centros de comunhão humana. Há um papel a ser desempenhado pelos cristãos na edificação de uma igreja urbana, inserida na realidade das cidades, atentas a elas e capazes de influenciá-las positivamente.

CarlosBezerraJr