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Entendes o que lês?

Ter uma vida devocional não é difícil

Recentemente, uma foto causou uma verdadeira comoção nas redes sociais. A imagem mostrava uma menina de apenas oito anos de idade agarrada a uma mochila enquanto era resgatada de uma enchente no interior de Pernambuco. Os relatos indicam que, antes de subir na balsa, a garota, identificada como Rivânia, ouviu da sua avó: “Pega só o que for mais importante”. A menina não foi atrás de algumas das suas roupas ou brinquedos, mas dos seus livros.

A importância da leitura dentro da história da humanidade sempre surgiu como uma condição essencial para a construção do poder crítico do indivíduo. Para entender – e compreender – os acontecimentos de sua época, a pessoa deve possuir ferramentas que apenas o conhecimento pode transmitir.Box entendesoqueles

Sabemos que ler traz muitos benefícios a quem o pratica. A leitura desenvolve e aumenta o repertório geral, auxilia para que o indivíduo tenha senso crítico, amplia o vocabulário, estimula a criatividade e, finalmente, facilita a escrita. Ou seja, ler não é só abrir as páginas de um livro e correr os olhos pelas palavras. Ler é abrir um mundo novo a cada volume; é descobrir lugares ermos do planeta sem nunca ter saído do sofá; é viver amores impressionantes e aventuras fantásticas do conforto da sua própria casa. É ver beleza e poesia em qualquer paisagem. É esquecer, nem que seja por meia hora, os problemas e a rotina. É estimular a imaginação e a criatividade.

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, ganhador do prêmio Nobel de Literatura afirma: "Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias." Quem lê aprende a separar ideias concretas das ficcionais, a ter empatia, a se colocar no lugar do outro, a ter senso crítico e questionar o mundo.

A imagem de Rivânia e seus livros gerou grande impacto, principalmente, por ser incomum. No Brasil, uma pesquisa de 2016 realizada pelo Ibope por encomenda do Instituto Pró-Livro indica que 54% da população – mais de 100 milhões de pessoas – não consomem livros por vontade própria.

A situação piora se consideramos que além disso, outro grande problema do panorama da leitura e da escrita no país é a questão da interpretação. Alunos com 14 anos ainda têm dificuldades em identificar informações que estão tanto explícitas quanto implícitas em um texto. Este déficit transcende a disciplina de português e atinge matérias como matemática, no momento de interpretar enunciados-problema, e história, para compreender as relações entre os fatos. O analfabetismo funcional atinge 75% da população geral e 38% dos universitários, ou seja, só uma em cada quatro pessoas entende o que lê.

Um dos fundadores da sociologia, o alemão Max Weber, afirmava que a maioria dos países que se desenvolveram durante a Revolução Industrial seguiam a filosofia iniciada por Martinho Lutero na Alemanha, no século XVI. O pai da Reforma se encarregou de traduzir a Bíblia do latim para o alemão, para que as pessoas que não pertenciam à elite tivessem acesso ao texto e conseguissem entender o que Deus tinha deixado para Seus filhos naquelas páginas.

Conversar sobre como se interpreta o que se lê é tão importante quanto ensinar as pessoas a ler. Por isso Filipe fez essa mesma pergunta ao eunuco que, debruçado nas páginas do livro de Isaías, não compreendia o que Deus estava falando através das palavras do profeta (At. 8.26-40). O evangelista, inspirado pelo Espírito Santo, se aproximou daquele homem e perguntou: “Entendes o que lês?” Ao que o etíope respondeu: “Como posso entender se alguém não me explicar?” e o convidou a sentar-se ao seu lado.

Aquela cena do livro de Atos nos ensina que a compreensão, o discernimento do que está escrito, vem pela comunhão, pela intimidade. É uma prática que precisa ser desenvolvida, com frequência e persistência, e que pode ser aprimorada.

Ler é a forma de se relacionar com a experiência transmitida pelo autor, seja através de informações concretas ou através de histórias. Deus deseja que sejamos íntimos dele, que conheçamos quem Ele é, o quanto nos ama e qual é o propósito e plano que tem para nossas vidas. E tudo isso, Ele deixou para nós num livro.

“Ah, mas não podia ser de outra forma? Algo mais fácil?” Poderia. Mas Ele é tão gentil e amoroso, e deseja tanto que nos aproximemos dele para conhecermos Seu coração, que deixou tudo registrado para nós, para que ninguém mude nada sobre o que especialmente desejava falar conosco, Seus filhos.

Quer conhecer o coração do Pai? Exercite a leitura bíblica e a confissão da Palavra. Procure discernimento do Espírito Santo e na comunhão com os irmãos. Você verá que realmente a Palavra é viva e eficaz, e que Ele é fiel para cumprir cada uma das Suas promessas. Assim, nós daremos à Bíblia o mesmo valor que Rivânia deu àqueles livros. 

 

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