amizadeealiancaMAR17

Amizade e aliança

O segredo do sucesso é amar os discípulos

Em Colossenses 3.14, Paulo destaca que “o amor é o vínculo da perfeição”. Sem ele, as relações humanas ficam vulneráveis e ameaçadas pelas inevitáveis crises. De fato, Jesus nos ensinou isso no Seu relacionamento com os discípulos. Ele não estava ali para realizar um trabalho frio e técnico em suas vidas, mas para conquistá-los e desfrutar deles.

As palavras do Mestre em João 17.24 deixam isso muito mais claro:Box amizadeealianca

“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.”

Ele valorizava a companhia daqueles homens. Eles eram um com Cristo (vs.26).

Muitos se perguntam: Qual é o segredo? Como Jesus conseguiu isso? Em primeiro lugar, Ele precisou de tempo. Uma amizade verdadeira, uma aliança, não surge de um dia para o outro. É um trabalho a longo prazo.

Em segundo, dependência, porque se o Espírito Santo não viesse sobre eles e fizesse com que as sementes germinassem – o que, de fato, aconteceu em Pentecostes – não daria certo. Jesus sabia que por melhor que seja um discipulador, por mais bem feito que tenha sido seu trabalho em formar seus discípulos, nada substitui a experiência pessoal de uma pessoa com Deus.

E, em terceiro, gestos de amor. O Mestre sabia que esse era o caminho para desenvolver um relacionamento e não apenas treiná-los para a obra de Deus. Ele queria mais do que suas mentes; queria seus corações! Por isso chamou André para ir na sua casa (Jo. 1.35-42) ou convidou Pedro a pescar e depois visitou-o em sua residência e curou sua sogra (Lc. 5.4-11 e Mt. 8.14-15).

Infelizmente, muitos líderes querem frutos na vida dos seus discípulos e só conseguem vê-los sob a perspectiva dos resultados que darão. Se, porém, não ganharem primeiro a visão de que são gente, e como gente têm que ser valorizados, nunca chegarão a colher frutos abundantes de suas vidas.

Jesus olhava para cada discípulo como alguém desejável e investiu em tê-los como amigos. Um discipulador será tanto mais eficiente quanto mais conseguir desenvolver verdadeira comunhão com seus discípulos. Quando esta relação extrapola os limites da técnica e conquista o coração, torna-se infinitamente mais poderosa. Quanto maior a intimidade, maior o progresso.

O formalismo sufoca os relacionamentos. É muito mais fácil desenvolver uma aliança quando temos menos conselhos para dar e mais lágrimas para compartilhar. Deixe os medos de lado. Intimidade e amor não são símbolos de ausência de autoridade espiritual. Ainda que Jesus fosse um líder amoroso, Ele não transigia quanto ao padrão que queria implantar na vida dos Doze, chegando a confrontá-los duramente quando necessário. E eles não desistiram do seu líder por causa disso! A aliança protege o amor.

É verdade que qualquer um que se dedica a fazer discípulos passa por momentos em que sente vontade de desistir. Mas aquelas são vidas que o Senhor nos confiou, não existe essa opção. Ainda que nos imponham trabalho e decepções, é nosso papel amá-los até o fim, como Cristo amou os Seus (Jo. 13.1). Uma relação baseada no “bom enquanto durar” não atinge o propósito de Deus.

Devemos nos lembrar sempre que o propósito do discipulado é conduzir as pessoas a desenvolverem seu ministério e cumprirem o plano de Deus. Isso foi, por exemplo, o que Noemi fez com Rute, quem, após receber orientação, casou-se com Boaz e tornou-se uma mulher muito bem-sucedida, de cuja descendência nasceram reis como Davi, Salomão e o próprio Jesus. Tudo o que lhe aconteceu, porém, foi fruto do pacto que ela manteve com Noemi, mesmo nos momentos de dor e pobreza. Foi por isso que Deus a honrou tanto. Perseverar na aliança gera bênçãos.

A aliança de Jesus com Seus discípulos era inquebrantável e eterna. Mesmo depois da terrível prova da cruz, na qual muitos fraquejaram, ela permaneceu intacta. Após ressuscitar, Jesus, líder fiel, foi em busca de cada um, restaurando-lhes a confiança e o chamado. Afinal de contas, Seu desejo sempre foi que, onde Ele estivesse, estivessem também aqueles que o Pai lhe havia dado. Esse é o coração de um verdadeiro fazedor de discípulos!

 

DaniloFigueira