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“Você não está aqui para pensar, está aqui para trabalhar.” Marcelo perdeu a conta de quantas vezes ouviu essa frase de superiores e colegas de trabalho. Isso não combinava com a sua vontade de ser melhor, de crescer e de sempre se superar.

Nascido em Pernambuco em uma família simples, ele começou a se desenvolver como uma criança comum. Até que um evento na escola mostrou que havia algo diferente: certo dia, Marcelo jogou uma tesoura na cabeça de outro aluno. Acabou sendo expulso, mas os diretores conversaram com seus pais: “Eles explicaram para a minha mãe que eu tinha algumas dificuldades e que seria bom fazer alguns exames. Foi quando descobrimos que eu tinha uma leve deficiência mental”, conta.

A partir daí, começou a busca por psicólogos, fonoaudiólogos e todos os profissionais que pudessem ajudar no seu desenvolvimento. Em meio a tudo isso, sua mãe, que sofria violência doméstica, se separou e trouxe a família para São Paulo.

Desde pequeno, Marcelo via o esforço que era feito para que ele tivesse a melhor vida possível e para que se desenvolvesse bem. Então, se comprometeu a continuar trabalhando para isso. “Quando completei 18 anos, eu disse à minha mãe que era a minha vez de batalhar, e foi isso que eu comecei a fazer.” Sabendo de suas limitações, começou a procurar cursos que pudessem ajudá-lo e procurou ser sempre o melhor em tudo o que fazia. Passou a investir no seu intelecto, na fala e no físico. Se tornou, assim, um homem muito ativo: pratica capoeira, anda de bicicleta, faz rapel e trilhas, acampa, dança forró.

Mas, o trabalho ainda parecia um grande desafio. “Eu quis trabalhar desde cedo, queria me desenvolver mais, crescer como pessoa. Mas me diziam que eu só tinha que trabalhar, e não pensar. As pessoas nas empresas onde eu trabalhei falavam mal de mim na minha frente, como se eu fosse surdo. Eu tenho um problema mental, mas não sou surdo. Isso me chateava muito”, relembra.

A intolerância acabava o atingindo também fora do local de trabalho. Seu pai, por exemplo, nunca aceitou a sua condição e nem procurou ajudar em sua educação. Seu relacionamento com seus irmãos também não é dos melhores. Como ele mesmo diz, eles vivem uma “boa vizinhança”, mas não têm vínculos. O que também acabava o entristecendo.

Em meio a tudo isso, Marcelo viu as coisas começarem a mudar quando encontrou a Fundação Comunidade da Graça, três anos atrás, e começou um novo emprego. Ele percebeu que se sentia respeitado ali, que as pessoas, mesmo cientes das suas limitações, o ajudavam a se desenvolver no seu tempo, respeitavam as suas condições e o encorajavam a ser melhor.

Do trabalho organizando as notas fiscais que chegavam como doação, ele passou para o escritório, que era o seu grande sonho. Hoje, ajuda com todo o setor administrativo – holerites, currículos, arquivo morto, doações – e com os eventos.

“Continuo me esforçando para me desenvolver cada vez mais. Já tenho melhorado a minha leitura, a minha escrita, meu modo de falar. Aqui na FCG eles me dão liberdade e me ajudam a crescer”, conta Marcelo.

Além do desenvolvimento profissional, seus colegas de trabalho e seus “chefinhos” têm ajudado no seu relacionamento com as pessoas. Ele já consegue enxergar seus irmãos e familiares com outros olhos, e sente compaixão por eles.

Jesus transformou a vida de todas as pessoas que encontrou, e Ele nos chama para fazer o mesmo, vivendo em amor e nos aproximando daqueles que acabam sendo excluídos e desacreditados.

Esta é a última de três histórias de funcionários da Fundação Comunidade da Graça que estão no programa de inclusão de deficientes físicos e mentais. Aguinaldo, André e Marcelo – junto de muitos outros – têm vivido o amor que acolhe, inclui, desenvolve, edifica, restaura e, acima de tudo, transforma.

Se você quer saber mais sobre o trabalho da Fundação Comunidade da Graça, acesse o site www.fcg.org.br.