mireleJUL18

Mirelle

Os primeiros dias na escola são cheios de emoção para as crianças. Algumas choram desesperadamente por se separarem dos pais, outras, mesmo quietinhas, se sentem nervosas por conta da nova rotina, do ambiente diferente e das pessoas que agora as rodeiam. Já outras descobrem tantas coisas novas que se enchem de alegria e ficam bem agitadas.

No começo do ano letivo de 2018, tudo parecia normal no CEI Indireto – Espaço da Comunidade VI, creche administrada pela Fundação Comunidade da Graça. Muitas crianças tinham suas primeiras experiências e as professoras já esperavam todas as reações possíveis. Mas, uma daquelas crianças tinha algo diferente. Ao pegar Mirella no colo, um bebê de pouco mais de um ano, a professora Débora percebeu que ela não era como as outras crianças. O coração da menina batia mais forte do que o normal. A princípio, a professora pensou que poderia ser o nervosismo por conta do novo ambiente.

A coordenadora do CEI, Ana Paula, também percebeu os fortes batimentos ao pegar Mirelle no colo: “Na primeira vez, eu até brinquei que ela estava tão nervosa que seu coraçãozinho estava pulando. Mas mesmo tentando acalmá-la, a situação não normalizava”. Foi aí que decidiu entrar em contato coBox mirellaJUL18m os pais, Jocelice e Nailton.

Preocupados com o desenvolvimento da filha, eles também já haviam percebido que algo não estava normal, mas quando procuraram um médico, foram avisados de que aquela era uma condição comum para bebês e que tudo estava bem. Por isso, acabaram deixando a situação de lado.

Ana Paula, então, aconselhou-os a buscar outro profissional e fazer os devidos exames na menina. Foi aí que veio a notícia: Mirelle sofria com um forte sopro – ou seja, uma de suas válvulas cardíacas estava com o orifício de passagem do sangue reduzido – e seu coração já estava inchado, afetando outros órgãos.

Naquele momento, muitas coisas começaram a fazer sentido para os pais. Ela costumava ser bem quieta, não muito agitada, como se estivesse sempre cansada, e seu coração parecia sempre acelerado.

A condição era tão complicada, que os médicos disseram que ela precisava ser operada com urgência. Se o problema não fosse tratado logo, ela poderia não chegar aos quatro anos de idade. “A gente não tinha condições de fazer muitas coisas, mas demos um jeito. Pedimos a ajuda de Deus e fomos em frente”, conta Nailton.

A mãe, a princípio, não aceitava bem a situação: “Eu fiquei muito desesperada. Não queria que ela operasse o coração, é algo muito sério, muito grave. Mas percebi que era necessário, que aquilo seria o melhor para ela”.

Depois de um mês daquela triste descoberta, chegou o dia da operação de Mirelle, 23 de abril. Foram cinco horas esperando pelas boas notícias. E elas enfim chegaram. A cirurgia da menina foi um sucesso e, hoje, ela já se desenvolve normalmente e toma remédios para que seu coração volte ao tamanho normal.

Os pais já percebem diferenças enormes na filha. “Olha como hoje ela brinca, antes ela não fazia nada disso”, lembra o pai. Eles também se sentem muito gratos por toda a ajuda que receberam da creche e da FCG. Se lembram, inclusive, de que Mirelle já havia passado por outra instituição antes, onde ninguém havia percebido seu problema. “As professoras e a coordenadora do Espaço da Comunidade foram muito sensíveis e atentas à nossa filha, não sabemos o que teria acontecido se não fosse por elas. Graças a Deus, a Mirelle está aqui, ela é o nosso maior presente”.