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Eliana

Uma das drogas mais viciantes do mundo, o crack tem feito milhões de vítimas ao redor de todo o mundo. Conhecido como a versão barata e de efeito mais rápido da cocaína, mexe com o sistema nervoso, gerando alucinações, euforia, sensação de prazer, agitação e estado de alerta.

No Brasil, mais de 2,6 milhões de pessoas já experimentaram crack pelo menos uma vez na vida. Nosso país é considerado o maior consumidor da droga no mundo, sendo responsável por 20% do consumo mundial. Hoje, são mais de 1,6 milhões de usuários. Eliana era um deles.

Nascida em um lar complicado, onde a mãe trabalhava muito e apanhava do marido alcoólatra, ela saiu de casa aos 14 anos e teve seu primeiro contato com as drogas. Da maconha, passou para a cocaína. Daí para o crack foi apenas um salto. Junto do vício, outros hábitos surgiram: roubo, prostituição. “A droga te dá coragem para fazer coisas absurdas”, conta.

Ainda adolescente, Eliana acabou engravidando. Nem o fato de estar gerando um bebê conseguiu afastá-la das drogas, ela tentava, mas nunca tinha sucesso. Acabou deixando a filha aos cuidados de sua mãe, já que não queria abandonar tudo o que estava vivendo.

Apesar da vida desregrada e de tantos vícios, ela não perdia a fé em um Deus que havia conhecido com a avó, que era missionária: “Naquele fundo de poço, eu tinha certeza de que Deus poderia me tirar daquela situação”. E foi exatamente o que aconteceu. Uma de suas experiências mais marcantes foi quando conseguiu uma grande quantidade de droga e, depois de dez dias seguindo fumando, começou a vomitar um líquido preto. Sentia uma dor intensa nos seus pulmões e no estômago. Desesperada, Eliana começou a clamar, pedia que Deus não deixasse que ela morresse sem que O conhecesse de verdade.

Em 2008, acabou presa por alguns meses. Pensou bem enquanto estava encarcerada, queria largar o crack. Mas, assim que saiu, já procurou uma biqueira.Box elianeMAI18

Dois anos depois, acabou presa novamente. Dessa vez, as coisas foram diferentes. Eliana tinha planos de voltar às drogas quando saísse, mas acabou conhecendo o pastor Barnabé e sua esposa Flávia na penitenciária. As visitas e conversas geraram nela um desejo de transformação. Ela começou a orar e pedir a Deus que a ajudasse a se livrar do vício.

“Eu comecei a ver Deus trabalhando em mim, comecei a mudar”, relembra. Procurava sempre ler a Palavra em sua cela e participava dos cultos semanais. Quando foi para o regime semiaberto e começou a trabalhar, seus planos já eram bem diferentes. Eliana queria guardar dinheiro e recomeçar a sua vida.

“Eu sempre me lembrava de uma coisa que a Flávia tinha me dito: ‘Deus vai transformar a sua vergonha em honra, vai te colocar em um lugar de princesa’. E Deus fez isso mesmo”.

O tempo foi passando e ela continuava orando. Pedia ao Senhor que só conseguisse a tão sonhada liberdade quando seu sangue estivesse, finalmente, “limpo”, sem vícios, sem abstinência. E o dia, enfim, chegou. Eliana procurou a ajuda da Fundação Comunidade da Graça e conseguiu refazer a sua vida.

Hoje, casada e “limpa” já há nove anos, ela continua firme e profundamente grata por ter experimentado tantas mudanças. Faz alguns cursos da FCG para se profissionalizar e especializar. “Me sinto feliz em ver onde estou hoje, poucas pessoas têm uma segunda chance, e eu tive a minha. Deus é perfeito em tudo! Quando Ele faz algo, nunca deixa pela metade, sempre faz o trabalho completo”, celebra.