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André

“Por que o mundo me olha assim?” Era isso que André costumava se perguntar. Ele sabia que era um pouco diferente, mas, para ele, isso não parecia um problema.

André nasceu prematuro por conta de uma queda sofrida por sua mãe durante a gravidez. Na hora do parto, ficou sem oxigênio e acabou nascendo com paralisia cerebral. “Os médicos tiveram que me tirar às pressas. Eles diziam aos meus pais que eu não faria parte deste mundo, que eu não seria uma pessoa normal”, conta.

Quando completou um ano, veio a primeira crise convulsiva. Junto dela, mais notícias ruins: para os médicos, aquela criança seria tetraplégica.

Os pais de André respondiam àquilo tudo com muita oração: “meus pais têm muita fé”. Resolveram compartilhar as suas necessidades com a célula, que começou a orar em conjunto. E foi em uma dessas reuniões que os milagres começaram a acontecer. Ao ver um cachorrinho, o menino se levantou e deu seus primeiros passos, querendo alcançá-lo.

Daí para a frente, vieram as primeiras palavras, os primeiros aprendizados, a escrita, a leitura. “A fé é uma marca muito forte para mim. Eu fui crescendo e me desenvolvendo, e continuava a crer que Deus poderia fazer um milagre em minha vida”.

Muito esforçado, conseguiu o primeiro emprego em uma lanchonete. Aos poucos, começou a se destacar pelo bom trabalho e a ganhar novas posições. “Por causa disso, as pessoas começaram a prestar mais atenção em mim de um jeito ruim. Quando eu chegava, elas falavam: ‘Lá vai o especial’”, relembra com tristeza.Box andreJUN18

André se perguntava por que o consideravam tão diferente e ficava chateado consigo mesmo, se sentia desanimado e, muitas vezes, extremamente inseguro. Muitas vezes, acabava acreditando no que diziam sobre ele. Sua mãe continuava crendo, dizia que Deus tinha algo melhor para ele, que logo ia chegar.

E o melhor chegou. Conversando com sua psicóloga, a pastora Marta, da Comunidade da Graça Sede, ele teve contato com a Fundação Comunidade da Graça, onde conseguiu um novo trabalho, no começo de 2015.

Lá, tudo era diferente. Ele tinha responsabilidades novas e muitos amigos. “Me lembro de quando tive que fazer a minha primeira transferência bancária. Minhas mãos até tremiam, eu nunca tinha feito aquilo”, conta.

Junto das novas funções, veio a surpresa de um bom salário. “Quando eu vi meu primeiro holerite, até chorei, fiquei emocionado. Naquele dia, fui com a minha mãe em uma loja e disse para ela escolher o melhor sofá que tivesse ali, dei de presente para os meus pais”.

Depois de três anos, André continua na FCG, aprendendo cada vez mais. Lá, ele diz se sentir respeitado por quem é, e isso muda tudo. Até novos sonhos surgiram, ele quer aprender a dirigir, assim como seu pai, e sabe que, se consegue cumprir todas as suas funções, é capaz de aprender.

“Desde que eu cheguei na Fundação, começou uma nova história na minha vida. É aqui que eu tenho os meus amigos, é aqui que gosto de comemorar o meu aniversário, é aqui onde eu quero estar. Louvo a Deus pelo que Ele tem feito na minha vida, porque eu sei que eu tenho mudado. Quero seguir o que o pastor Carlos Alberto nos ensina, de que devemos amar uns aos outros, porque o amor é de Deus e todo aquele que ama é nascido de Deus (1Jo.4.7).”