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Eduardo

Edu era daquelas pessoas que fugiam de hospitais. O ambiente o incomodava tanto que, como ele mesmo conta, só entrava em um hospital se realmente precisasse e já procurava as placas de saída. “Quando tinha que visitar algum familiar ou amigo que estivesse internado, ia sempre nos últimos 15 minutos do horário de visitas, assim não precisava ficar muito tempo lá”, lembra.

José Eduardo Francelino é seu nome completo, e mal sabia que o Senhor tinha planos para ele exatamente no lugar que mais temia. Quando entregou a sua vida para Jesus, começou a perceber algumas mudanças profundas: “Eu era muito egoísta e, com Cristo, aprendi a amar o meu próximo. E aprendi também que próximos não são só aqueles que gostam de mim, meus amigos e minha família, mas qualquer um que esteja perto”.

Já com essa nova visão, uma outra mudança começou a acontecer. Por conta de uma cirurgia, sua mãe foi internada e ele precisou acompanhá-la. Ali, no lugar que mais lhe causava medo, começou a enxergar as necessidades das pessoas, seu coração começou a se quebrantar por aquele ambiente. Sua mãe lhe disse: “Filho, você precisa estar aqui, olha quanta gente passando por necessidade.”Box eduardoMAR18

Foi, então, que procurou o pastor Gilberto Dalmasso, líder do Ministério de Missões Urbanas da Comunidade da Graça Sede. Naquela conversa, conheceu a capelania hospitalar e percebeu que era naquilo que deveria trabalhar. Com a indicação do pr. Gil, fez um curso e, seis meses depois, foi chamado para trabalhar no Hospital Municipal do Tatuapé, na zona leste de São Paulo.

O medo de hospitais? Foi embora! “O Senhor trata a gente em primeiro lugar. Todo aquele sentimento ruim que eu tinha, meu medo, minha timidez e vergonha para falar com as pessoas, tudo isso foi se transformando em algo diferente”, conta.

Hoje, dois anos depois de descobrir a capelania hospitalar, ele está sendo treinado para cuidar de pacientes paliativos – aqueles que receberam um diagnóstico terminal, que estão no final da vida – e ajuda a treinar novos capelães. O trabalho também tem gerado outros frutos. Além do Hospital do Tatuapé, Deus abriu as portas para que um grupo de voluntários da CG Ermelino reiniciasse a capelania no Hospital Público Municipal de Ermelino Matarazzo, que havia abolido o trabalho feito por outros grupos depois de experiências muito ruins.

Para Eduardo, servir pacientes nos hospitais é a sua maneira de amar a Deus. “Ele me amou tanto e eu entendo que é servindo as pessoas, mesmo que só durante três horas na semana, que eu retribuo esse amor. É tão pouco, mas esse pouco que eu faço eu vou continuar fazendo”.

Das histórias que coleciona, algumas o marcaram profundamente. Uma delas é de uma paciente com uma doença degenerativa. Ela havia sido abandonada pela família e não tinha ninguém que a acompanhasse. Também já não falava e não expressava qualquer reação. Mas ele insistia em visitá-la, era a primeira coisa que fazia quando chegava no hospital. Certa vez, antes de entrar no quarto, fez uma oração diferente, pediu que Deus fizesse a Sua vontade na vida daquela mulher, mas que ela pudesse descansar. Duas semanas depois, não a encontrou mais lá, ela havia falecido. Se entristeceu ao ver o leito vazio, mas ouviu a voz de Deus dizendo que ela estava descansando com Ele, e isso lhe trouxe alegria e paz.

Em meio a tantos casos diferentes, os planos são de continuar o trabalho com cada vez mais excelência, abençoando cada vez mais pessoas e treinando outros para que possam servir neste ministério. “Nosso objetivo é levar Cristo, dar um ombro para chorar, sentir a dor do outro, passar pelo mesmo sofrimento. Afinal, foi isso que Jesus fez. E o que recebemos em troca não tem preço, é realmente transformador”.