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A igreja na rua

Projeto leva alimento e a Palavra de Deus à população de rua de São Paulo

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) lançou, no ano passado, dados alarmantes sobre a população de rua na capital paulista. Segundo a organização, o número de moradores de rua quase que dobrou em 15 anos, passando para quase 16 mil pessoas e atingindo uma média anual de crescimento de 4,1% – taxa muito acima do aumento da população paulistana.

Sabendo dessa dura realidade, alguns casais da Comunidade da Graça Sede passaram a realizar trabalhos com as pessoas que não têm onde morar e nem para onde ir. Cada vez mais compartilhavam suas histórias nos grupos de GCEM, até que isso chegou aos ouvidos do pastor Gilberto Dalmaso, responsável pelo Ministério de Missões Urbanas da Comunidade. Depois de se reunirem, conversarem sobre o assunto e orarem pedindo Box aigrejanaruaa direção de Deus, um novo projeto surgiu, o Pé na Rua.

“Sempre falamos sobre o nosso desejo de servir a população de rua através da igreja para que tivéssemos cobertura espiritual”, comenta o líder do projeto, Marcelo Capucci. E o que no começo era apenas a distribuição de alimentos e algumas orações, se tornou um instrumento de vida e de recuperação para centenas de pessoas. Hoje, o Pé na Rua vai às ruas, distribui lanches, oferece um momento de louvor, uma palavra e um desafio de arrependimento e entrega da vida a Jesus.

Marcelo comenta que o trabalho começou no Viaduto Guadalajara, no Belenzinho. “Sabíamos que numa rua paralela ao viaduto havia muitos moradores de rua e poucas pessoas tinham coragem de entrar. Depois de orar, entendemos que era ali que deveríamos começar”, conta. Mas, depois de um tempo, o tráfico de drogas foi tomando conta daquela região e dificultou o trabalho. “Começamos a orar e buscar outros lugares e acabamos chegando onde estamos hoje, no Largo da Concórdia.”

A praça, localizada no Brás, é famosa pelo grande fluxo de moradores de rua. Entre eles, há imigrantes de diversos países, migrantes vindos de outros estados e pessoas com vícios em álcool e drogas, como a maconha, a cocaína e o crack. “Temos visto o quanto as drogas são o maior motivo para levar as pessoas às ruas. Muitos pensam que é apenas o crack, mas mesmo o álcool, a maconha e a cocaína fazem parte da vida da população de rua”, explica Marcelo.

Para os que se interessam em uma nova vida e na recuperação, o Pé na Rua os encaminha para a Casa Life, administrada pela CG Suzano, ou para a Clínica Resgate em Cristo, parceiras do projeto. Depois da recuperação, ainda há o investimento na ressocialização de cada um: o retorno à família, auxílio financeiro, apoio para encontrar um emprego e até o incentivo à profissionalização. Segundo o líder do projeto, essas pessoas “não podem sair e ficar paradas”, precisam estar ativas para que não voltem à situação de rua.

Além daqueles com problemas familiares, financeiros e com vícios, um outro grupo chama muito a atenção de Marcelo nas ruas: os pastores e cristãos. “É intrigante ver homens que pregavam o Evangelho e agora estão nessa situação”, comenta. Ele lembra do texto de Mateus 12.43-45:

“Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso. Como não o encontra, diz: ‘Voltarei para a casa de onde saí’. Chegando, encontra a casa desocupada, varrida e em ordem. Então vai e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.”

O trabalho do Pé na Rua tem alcançado cada vez mais pessoas e levado o Evangelho àqueles que mais precisam. A receita para que dê certo é simples: jejum e oração. O grupo, que hoje tem cerca de 20 pessoas, se reúne semanalmente pedindo a direção de Deus e colocando tudo nas mãos dele. “O Pé na Rua é um presente de Deus, é formado por pessoas que fazem tudo de coração e com muito amor”, finaliza o responsável.

Essa é a igreja para a cidade, trabalhando para aqueles que ninguém mais vê e que são alvos do amor, da graça e da misericórdia do nosso Senhor.